7.11.2013

Em Alcácer do Sal foi descoberto um esqueleto de mulher com mais de 8 mil anos


 
A ossada encontra-se num extraordinário estado de conservação e em posição ritual, abrindo um vasto leque de possibilidades de investigação sobre os comportamentos funerários e forma de vida humana no Mesolítico.

Este foi o achado mais significativo da campanha deste ano do projeto Sado-Meso, dirigido por Pablo Arias, da Universidade da Cantábrica, e Mariana Diniz, da Universidade de Lisboa, que tem como principal objetivo o estudo das últimas comunidades de caçadores-recoletores e dos processos de implantação dos primeiros grupos agro-pastoris, no baixo Vale do Sado (concheiros do Sado).

O grupo ficou célebre no ano passado por ter descoberto aquela que será a mais antiga sepultura de um cão em Portugal.

O esqueleto agora encontrado será submetido a um conjunto de processos de investigação, como a datação por Carbono 14 e as análises de ADN, para que sejam reunidas informações sobre a vida daqueles povoados humanos.

Para já, é possível verificar que se encontra deitado de costas, com as pernas fortemente fletidas para a frente e os braços pousados sobre o peito, o que indicia um rito funerário muito específico.

O sítio arqueológico de Poças de S. Bento foi escavado pela primeira vez no final dos anos 50, por Manuel Heleno, fundador do Instituto Nacional de Arqueologia e, posteriormente, nos anos 80, por uma equipa sueca. O Projeto Sado-Meso fez a sua primeira campanha em 2010.

Até agora já tinham sido encontradas outras 13 ossadas, mas todas em fraco estado de conservação; algumas cerâmicas e sinais de estruturas habitacionais rudimentares.

Elementos fundamentais desta investigação têm sido os depósitos de materiais onde predominam as conchas, de lamejinha e berbigão, bem como vestígios de outros animais que serviam de alimentação, como veado, javali, coelho e boi selvagem.

Uma curiosidade são os vestígios de peixes habitualmente só encontrados em alto mar, como o tubarão ou a corvina, mas, sobretudo, uma prevalência de 83 por cento de sardinha, o que indicia que provavelmente estes povos possuíam embarcações com as quais se deslocavam até ao oceano e pescavam.

O projeto tem várias frentes de trabalho e é desenvolvido por uma equipa multidisciplinar, nomeadamente com a presença de uma antropóloga física (para o estudo e levantamento das ossadas) e de uma equipa de geólogos da Faculdade de Ciências de Universidade de Lisboa, que efetua sondagens no rio Sado, que passa nas proximidades do sítio arqueológico.

A meta é traçar um retrato o mais fiel possível de como era o local e a vivência há oito mil anos, desde a geologia, a fauna e a flora da época, à forma como os homens de então exploravam e viviam nesse ambiente.

Esta investigação acontece no âmbito do programa COASTTRAN, do Instituto Internacional de Investigaciones Prehistóricas de Cantabria, financiado pelo Plan Nacional de I+D+i do Ministerio de Ciencia e Innovación, e do projecto da UNIARQ, “Retorno ao Sado”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Os trabalhos de campo contam ainda com a participação do Museu Nacional de Arqueologia. As análises serão realizadas, na sua maior parte, nos laboratórios das Universidades da Cantábria, de Oxford e de Lisboa, e no Instituto Max-Planck, de Leipzig.

Fonte:CMAS

De onde se prova que a nossa bela e rica zona é procurada desde muitos anos atrás!

5 comentários:

Anónimo disse...

Acho que a cãmara de alcácer do sal está no bom caminho ao dar este valor à sua história, oxalá outras seguissem o seu exemplo como santiago cacém.

Anónimo disse...

A riqueza do nosso património não está a ser devidamente rentabilizada.
Comparativamente, só pensar que no Brasil nos enfiam num autocarro para irmos ver areias coloridas, dá-me "agasturas".
Santiago Cacém: Miróbriga
Alcácer do Sal: O Sado e tudo o que encerra, Pousada.
Sines: Castelo, ilha e praia do Pessegueiro
Odemira: Foz do Mira
Grândola: Arqueologia Industrial, antas
E creio que esta é uma pequena parte do que está presente no terreno e que desconheço.
Para quando a existência de um circuito turístico abrangente do litoral alentejano, não público sujeito aos seua horários, mas sim privado,?

Anónimo disse...

Depois de Sines Àlcácer.
http://www.mirobriga.pt/index.php?file=paginaprincipal/noticias/noticia.htm&id=7790

Muito trabalho para os arqueólogos, será que existe alguns nas Câmaras?

Anónimo disse...

A câmara de Santiago tem arqueólogos? Desconheço. Alcácer e Sines têm porque são conhecidos os seus trabalhos.

Anónimo disse...

Estes circuitos são normalmente organizados por associações de empresários. Mas por cá não se vê muito interesse dos empresários?
Mas se aparecer alguém a fazê-lo, e já pensei nessa hipótese,tentam logo boicotar as coisas.