7.17.2013

Festivais

Acabado de encerrar, com chave de ouro, o Festival Terras sem Sombra, com um extraordinário concerto com obras de Luigi Bocherini, em Sines e com a entrega do prémio "Terras sem sombra" na Comporta, que contou com a presença de SAR a Infanta Pilar de Bourbon e dois Duques de Bragança, começa agora outro marco musical na nossa região, o festival Musicas do Mundo em Sines, com um calendário repleto de ofertas interessantes.
Segue-se o Meo Sudoeste, com outro género de musicas, mas que também tem o sue lugar firmado no panorama musical nacional e regional.
Em suma, a nível musical podemos considerar que o Alentejo Litoral está relativamente bem servido.
Mas, e nas restantes manifestações culturais?
Assiste-se a um quase deserto.
Podemos encontrar algumas actividades dispersas, uma ou outra exposição, mas eventos regionais, transconcelhios de arte, teatro, cinema ou mesmo desporto?
Ou congressos e encontros?
Agradeço que nos informem se estamos enganados, mas não conhecemos.
Acho que esta região já provou que tem públicos que gostam, que enchem, que apreciam manifestações culturais de qualidade, de conhecer coisas novas, novas formas de expressão, de arte....

7.11.2013

Em Alcácer do Sal foi descoberto um esqueleto de mulher com mais de 8 mil anos


 
A ossada encontra-se num extraordinário estado de conservação e em posição ritual, abrindo um vasto leque de possibilidades de investigação sobre os comportamentos funerários e forma de vida humana no Mesolítico.

Este foi o achado mais significativo da campanha deste ano do projeto Sado-Meso, dirigido por Pablo Arias, da Universidade da Cantábrica, e Mariana Diniz, da Universidade de Lisboa, que tem como principal objetivo o estudo das últimas comunidades de caçadores-recoletores e dos processos de implantação dos primeiros grupos agro-pastoris, no baixo Vale do Sado (concheiros do Sado).

O grupo ficou célebre no ano passado por ter descoberto aquela que será a mais antiga sepultura de um cão em Portugal.

O esqueleto agora encontrado será submetido a um conjunto de processos de investigação, como a datação por Carbono 14 e as análises de ADN, para que sejam reunidas informações sobre a vida daqueles povoados humanos.

Para já, é possível verificar que se encontra deitado de costas, com as pernas fortemente fletidas para a frente e os braços pousados sobre o peito, o que indicia um rito funerário muito específico.

O sítio arqueológico de Poças de S. Bento foi escavado pela primeira vez no final dos anos 50, por Manuel Heleno, fundador do Instituto Nacional de Arqueologia e, posteriormente, nos anos 80, por uma equipa sueca. O Projeto Sado-Meso fez a sua primeira campanha em 2010.

Até agora já tinham sido encontradas outras 13 ossadas, mas todas em fraco estado de conservação; algumas cerâmicas e sinais de estruturas habitacionais rudimentares.

Elementos fundamentais desta investigação têm sido os depósitos de materiais onde predominam as conchas, de lamejinha e berbigão, bem como vestígios de outros animais que serviam de alimentação, como veado, javali, coelho e boi selvagem.

Uma curiosidade são os vestígios de peixes habitualmente só encontrados em alto mar, como o tubarão ou a corvina, mas, sobretudo, uma prevalência de 83 por cento de sardinha, o que indicia que provavelmente estes povos possuíam embarcações com as quais se deslocavam até ao oceano e pescavam.

O projeto tem várias frentes de trabalho e é desenvolvido por uma equipa multidisciplinar, nomeadamente com a presença de uma antropóloga física (para o estudo e levantamento das ossadas) e de uma equipa de geólogos da Faculdade de Ciências de Universidade de Lisboa, que efetua sondagens no rio Sado, que passa nas proximidades do sítio arqueológico.

A meta é traçar um retrato o mais fiel possível de como era o local e a vivência há oito mil anos, desde a geologia, a fauna e a flora da época, à forma como os homens de então exploravam e viviam nesse ambiente.

Esta investigação acontece no âmbito do programa COASTTRAN, do Instituto Internacional de Investigaciones Prehistóricas de Cantabria, financiado pelo Plan Nacional de I+D+i do Ministerio de Ciencia e Innovación, e do projecto da UNIARQ, “Retorno ao Sado”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Os trabalhos de campo contam ainda com a participação do Museu Nacional de Arqueologia. As análises serão realizadas, na sua maior parte, nos laboratórios das Universidades da Cantábria, de Oxford e de Lisboa, e no Instituto Max-Planck, de Leipzig.

Fonte:CMAS

De onde se prova que a nossa bela e rica zona é procurada desde muitos anos atrás!