8.20.2010

Assim se desertifica o país...

O Ministério da Educação irá encerrar mais de 700 escolas em todo o país e divulgou ontem, nas páginas das várias Direcções Regionais de Educação, as listas das escolas do 1.º ciclo, que incluem turmas do 1.º ao 4.º anos, que vão encerrar a partir deste ano lectivo, ao abrigo do reordenamento da rede escolar.
Das 701 escolas do 1.º ciclo que já não vão abrir este ano lectivo, 384 estão localizadas no Norte do país, 152 no Centro e 121 na região de Lisboa e Vale do Tejo.
No Alentejo, vão encerrar 32 estabelecimentos de 1.º ciclo e no Algarve 12. No Alentejo, das 32 escolas que vão fechar portas, cinco estão no concelho de Odemira e quatro no de Santiago do Cacém. No Algarve, a região onde vão fechar menos escolas do 1.º ciclo, Loulé é o concelho mais afectado, encerrando quatro estabelecimentos. O Ministério da Educação anunciou no início de Junho um reordenamento da rede escolar, designadamente o encerramento de cerca de 500 escolas do 1.º ciclo com menos de 21 alunos e a agregação de unidades de gestão (agrupamentos e escolas não agrupadas). No entanto, em Julho, a tutela somou mais 200 escolas do que inicialmente previu a esta lista, encerrando ao todo 701 já este ano lectivo. Destas, as oito escolas do concelho de Murça vão continuar “em funcionamento até à conclusão do centro escolar”, previsto para Dezembro. Os alunos destas escolas, número não indicado pela tutela, serão transferidos para “centros escolares ou escolas dotadas de melhores condições de ensino e de aprendizagem”. Durante o mandato da ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, já tinham sido encerradas cerca de 2500 escolas do 1.º ciclo do ensino básico de reduzida dimensão. “Com esta reorganização, as escolas do 1.º ciclo com menos de 20 alunos, na sua esmagadora maioria escolas de sala única, onde o professor ensina ao mesmo tempo, e na mesma sala, alunos do 1.º ao 4.º anos, passam a ser uma excepção, prosseguindo o objectivo de garantir, a todos os alunos, igualdade de oportunidades no acesso a espaços educativos de qualidade”, sublinha o gabinete da actual ministra, Isabel Alçada. Quanto ao processo de agregação de unidades orgânicas, resultaram 84 novas unidades, com uma média de 1700 estudantes cada.
A ministra Isabel Alçada garantiu ainda que a lista final é resultado de negociações com os municípios e que "o processo envolveu por parte do Ministério da Educação um acordo com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e com as próprias autarquias: respeitámos integralmente esse acordo". Acontece, porém, que o governo decidiu encerrar escolas mesmo depois de alguns presidentes de câmara terem apresentado pareceres negativos e de argumentarem que a decisão viola as cartas educativas dos municípios. São os casos do Porto, de Castro Verde e de Santiago do Cacém.

3 comentários:

Zé dos Papéis disse...

Pois é... e onde estão os Pais e Encarregados de Educação a protestar?

Anónimo disse...

ora bem, adonde é que eles páram? Nem um pio se ouve, nem da oposição

Anónimo disse...

Para mim não é a atitude dos pais que MAIS me preocupa...
Onde estão os autárcas que dizem estar ao lado das populações...
Alguns até parece que protestam....MAS CALAM-SE LOGO...
É MAIS IMPORTANTE O "TACHO" DO QUE O POVO QUE REPRESENTAM...