2.25.2010

Museu de Sines expõe colecções de arqueologia a partir de 25 de Fevereiro

O Museu de Sines inaugura, no dia 25 de Fevereiro, às 18h00, a sua nova exposição, “O Seio de Tétis”. Do Tesouro do Gaio às cantarias visigóticas, passando pelo espólio romano, o melhor da arqueologia do concelho na posse da Câmara Municipal de Sines ocupa, ao longo de 2010, todo o rés-do-chão do Paço dos Governadores Militares do Castelo de Sines.
O título da exposição remete para Tétis, a deusa que na mitologia grega personifica a fecundidade do mar, e também para a mais forte hipótese de origem etimológica do nome de Sines, a palavra latina “sinus”, seio ou enseada.
Dos artefactos da vida quotidiana aos utilizados nos ritos funerários e religiosos, da pedra lascada do Paleolítico à cerâmica do Neolítico e à joalharia mais requintada da Idade do Ferro, “O Seio de Tétis” mostra objectos que dão testemunho dos homens que os criaram e usaram no seu dia-a-dia, para tirar melhor partido daquilo que a natureza lhes oferecia, em particular dos recursos marinhos, que da pré-história à actualidade sustentaram a ocupação humana neste concelho.
Entre as peças mais importantes em exposição contam-se o Tesouro do Gaio (séc. VII a. C.) - testemunho dos contactos comerciais e das influências do Mediterrâneo Oriental na Península Ibérica -, um dos melhores e mais homogéneos conjuntos de pedras do visigótico português (séc. VII d. C.) e material vindo das fábricas romanas de conservas de pescado e das necrópoles da Idade do Bronze.
A exposição será complementada por visitas guiadas aos sítios arqueológicos de onde as peças são provenientes, de modo a compreender melhor a sua ligação ao território, e por um programa de actividades pedagógicas especialmente concebido para a comunidade escolar.
A mostra das colecções mais remotas do Museu de Sines vai de encontro ao objectivo de anualmente renovar as suas exposições, de forma a ter sempre novidades para os visitantes. “O Seio de Tétis” é também o resultado do trabalho de limpeza, restauro, organização, acondicionamento e contextualização das peças reunidas ao longo da sua vida por José Miguel da Costa, fundamental para a apresentação das colecções ao público, para a criação de reservas e para a realização de um estudo científico mais rigoroso da arqueologia do concelho.
Além do valor de cada peça e de cada conjunto arqueológico reunidos nas colecções do seu Museu, Sines tem um lugar de destaque na história da arqueologia portuguesa pelo pioneirismo de alguns trabalhos de exploração aqui desenvolvidos. Com efeito, foi em Sines que teve lugar a mais antiga escavação conhecida em Portugal - a escavação do túmulo de S. Torpes, em 1591 -, realizada com um cuidado de registo, reprodução e preservação das peças que remete já para os rudimentos do método arqueológico, e foi também em Sines que, pela primeira vez, uma grande obra pública motivou a criação de um gabinete técnico de arqueologia, o que aconteceu durante a instalação do Complexo Industrial de Sines, nos anos 1970.
Depois da inauguração, a exposição “O Seio de Tétis” estará disponível para visita de terça a domingo, nos períodos 10h00-13h00 e 14h00-17h00, com entrada livre.
Exposição sobre século XX centra-se na República
Depois de mostrar a evolução global do concelho ao longo de todo o século XX, a exposição que em 24 de Novembro de 2008 inaugurou o Museu de Sines concentra-se agora nas suas primeiras décadas, enquadrando-se nas comemorações nacionais do Centenário da República.
A partir do dia 18 de Maio - Dia Internacional dos Museus - esta mostra ocupará todo o primeiro andar do Paço dos Governadores Militares, pedindo o Museu, para esse efeito, que todos aqueles que possuam documentos, objectos ou memórias significativos sobre esta época o ajudem a desenvolver e construir a exposição.
Depois da República, este projecto irá ter continuidade, aprofundando diversos aspectos do século XX, até ao ano de 2012, quando se comemoram os 650 anos da criação do concelho de Sines.

8 comentários:

Anónimo disse...

Mais uma boa iniciativa da CM de Sines, que a par de Alcácer começa a mostrar bons projectos nesta área. Curioso que Santiago é superior em matéria de arqueologia a qualquer um destes concelhos, mas continua estranhamente adormecido, mais grave ainda num concelho que possui uma cidade romana da importância de Miróbriga, muito património para escavar, muito património edificado, muitas igrejas e capelas, 3 centros históricos mas não parece ter qualquer estratégia para rentabilizar este importante factor de desenvolvimento por exemplo através de projectos na área do turismo cultural. É estranho. Mas quando temos um castelo habitado por mortos em vez de estar ao serviço dos vivos, julgo que já nada é de estranhar em Santiago, que continua a viver das memórias da aristocracia do passado. Seria bom irem aprender umas coisinhas a Alcácer, quem sabe não levariam umas dicas de como se trabalha em património.

Anónimo disse...

Muitos parabéns à câmara municipal de Sines pela dedicação ao seu importante legado histórico, e por esta exposição que irei ver pessoalmente.

Silvina Costa disse...

Sines, Grândola e Alcácer do Sal em vez de apostarem em festarolas e artistas de música pimba, fogo de artificio, Ritas Pereira, etc, para enganar tolinhos, vão fazendo pela vida e a tornar os seus concelhos cada vez melhor apetrechados do ponto de vista do património e da cultura. E também assim se projectam no país, como referências culturais e bons exemplos na área da defesa do seu património, que em Grândola, cncretamente no Lousal, fomos pioneiros na área da arqueologia indústrial. Em Santiago tudo se está a perder aos poucos, e até as ruinas romanas de Miróbriga estão cada vez mais abandonadas. As obras do centro histórico não andam nem desandam, o museu de arte sacra está esquecido, o centro de estudos jacobeus nunca mais foi falado, o projecto "Do Castelo Velho ao Castelo Novo" deve estar nalguma gaveta, o cemitério vai continuar dentro do castelo, e estamos nisto, a olhar o que fazem os concelhos à nossa volta. Sinto uma tristeza muito grande por ver Santiago neste estado, e também pelas nossas bonitas vilas e aldeias cada vez mais despidas de gente, com ar de abandono, mal arranjadas, buracos nas ruas, etc.

Anónimo disse...

Depois da iniciativa "Fevereiro, mês do centro histórico" e esta exposição magnifica em Sines, e das inciativas em Alcácer como o "Fórum sobre o Centro Histórico" a concretização do projecto da Cripta Arqueologica, do upadate do Museu Etnográfico do Torrão e das várias escavações arqueológicas que decorrem também em terras alcacerenhas, é caso para perguntar onde anda Santiago do Cacém? A ver navios?

Anónimo disse...

Temos que reconhecer que tanto Sines, como Alcácer do Sal e Grândola, estão a fazer alguma coisa pela sua herança histórica, e que Odemira e Santiago Cacém estão francamente pobres em projectos e sobretudo em actividades que puxem pelo património da região. Lamento muito em Santiago pela situação em que permanece o bonito castelo e também pelo abandono de Miróbriga, porque tanto como outro monumento podiam trazer mais turistas a Santiago.

Anónimo disse...

SANTIAGO CACÉM NECESSITA DE UM BOM MUSEU, FEITO DE RAIZ, PORQUE A CADEIA VELHA NÃO POSSUI CONDIÇÕES PARA MOSTRAR TODAS AS COLECÇÕES VALIOSAS DE SANTIAGO. ACHO QUE TINHA SIDO O DINHEIRO MELHOR APLICADO DO QUE NO AUDITÓRIO ANTÓNIO CHAINHO.

Anónimo disse...

Enquanto Santiago do Cacém não tiver um pelouro da cultura mais robusto, mais criativo e mais sensível para o nosso património histórico edificado, será dificil exigir mais.

Anónimo disse...

Sines tem bons espólios para aproveitar em boas exposições e tem sabido fazê-lo com sensatez e critério. É bom para a região e não apenas para Sines!