2.19.2010

Lagoa de Melides vais receber estatuto de protecção

A lagoa de Melides vai ser transformada em breve numa Área Protegida de Interesse Local, podendo ser considerada, até ao final do verão deste ano, a segunda reserva local natural do país, depois de concluído o processo que está a ser levado a cabo pela Câmara Municipal de Grândola. Paulo do Carmo, vereador na autarquia com a pasta do ambiente, explica que a intenção do município se reveste “da maior responsabilidade e trabalho”, uma vez que existe uma “intenção real de gerir aquele sistema lagunar, que tem problemas ao nível do assoreamento e da própria qualidade da água”.
“Muito pouco foi feito, até ao momento, pelas entidades a quem competia a gestão daquela área, nomeadamente o Instituto da Água e o próprio Ministério do Ambiente”, acrescenta Paulo do Carmo. Convicto de que o futuro da lagoa “poderá ser mais risonho”, o vereador grandolense considera que a sua “requalificação e valorização vai ainda permitir a todos os agentes económicos locais, como o próprio parque de campismo, alguns operadores turísticos, caçadores e produtores de arroz, ganhar com isso”.
in "Setubal na rede"

A intenção de a autarquia passar a lagoa de Melides para a gestão municipal foi formalmente anunciada no passado dia 5 de Junho de 2009, dia mundial do ambiente. “A câmara municipal quer ter a possibilidade de ser ela a tratar dos problemas do sistema lagunar”, enfatiza Paulo do Carmo, reiterando que, “se ninguém intervir no local, o espaço poderá estar transformado num pântano em 40 anos”. Para o mesmo local, está, igualmente, prevista uma Área de Desenvolvimento Turístico (ADT), que “acabará por ter ainda mais valor se estiver próxima de um local requalificado e com uma forte componente de natureza”.

Além dos investimentos que serão feitos em acções de desassoreamento e de melhoria da qualidade da água, Paulo do Carmo adianta que as operações naquela área de dez hectares deverão iniciar-se “ainda este ano”, com a construção de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), a ser edificada, até ao verão de 2011, pela empresa Águas do Alentejo. “Igualmente, vai avançar no terreno um centro de interpretação ambiental, que deverá estar pronto ainda no ano de 2012”, adianta.

A elaboração do processo que visa a requalificação da lagoa de Melides vai “envolver a própria população local e as mais diversas entidades” e deverá estar concluído até ao verão de 2010, altura em que será submetido ao parecer final do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade. Segundo explica Paulo do Carmo, a autarquia contratou uma equipa de técnicos encarregue de fazer o reconhecimento das características locais e o projecto em questão, tendo este último já sido apresentado à população da freguesia de Melides.

“Houve pessoas que ficaram apreensivas, mas não é intenção da câmara municipal querer prejudicar quem quer que seja”, reitera o autarca, realçando, por sua vez, “a intenção e postura de intervenção que tem de haver para requalificar o sistema lagunar”. A criação desta reserva local natural deverá ser a segunda nos mesmos moldes no país, uma vez que a primeira foi levada a cabo pelo município de Gaia. O projecto em questão decorre da legislação actualmente em vigor, que permite aos municípios criar áreas protegidas, consideradas de interesse local.

1 comentário:

Anónimo disse...

Em vez de fazer marketing político, com candidaturas a isto e aquilo, como a CMSC fez com a Lagoa de Santo André, a CMG opta pela realidade e assume "pegar o touro pelos cornos", chamando a si a responsabilidade da gestão e requalificação da Lagoa de Melides.
A diferença que faz a vila de Grândola para a cidade de Santiago do Cacém.