1.29.2010

Sines lança o "Mês do Centro Histórico"

No momento em que se inicia a execução do Programa de Regeneração Urbana e as propostas para a construção do novo Plano de Pormenor de Salvaguarda da Zona Histórica estão ja desenvolvidas, mas ainda não concluídas, a Câmara Municipal de Sines irá realizar, em Fevereiro, um conjunto de iniciativas para promover a discussão sobre os desafios da revitalização do Centro Histórico de Sines. Através dos meios de comunicação da autarquia e no seio de jornadas abertas ao público, pretende-se envolver a população num mês inteiro de informação e reflexão dedicado ao núcleo urbano fundador e fundamental da cidade.
Mais informação em :
http://www.sines.pt/PT/Viver/Urbanismo/mes_cento_historico/Paginas/default.aspx

1.21.2010

Uma vitória da população do Alentejo Litoral!

"O Governo anula troço da ferrovia e alentejanos cantam vitória."

O secretário de Estados dos Transportes comunicou, ontem, aos representantes da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral, CIMAL, a decisão de anular o traçado previsto para o troço entre Sines e Grândola da linha ferroviária de mercadorias projectada pela Rede Ferroviária Nacional (Refer), e que ligará aquele porto atlântico até à fronteira com Espanha, em Elvas.
A decisão foi transmitida numa reunião de Carlos Correia da Fonseca com os representantes do conselho executivo daquela comunidade de municípios, Carlos Beato e Alexandre Rosa, segundo os quais ficou assumido o compromisso de se estudar alternativas ao traçado agora chumbado. Segundo um comunicado da CIMAL, durante a audiência "foi visível a convergência entre as posições do Governo e as preocupações expressas pela CIMAL e que correspondem ao sentir das autarquias da região e dos agentes económicos e sociais que se têm pronunciado sobre o assunto".O conjunto de municípios que integram a CIMAL (Alcácer do Sal, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines) aprovou uma moção, no passado dia 12, na qual é defendida a necessidade de encontrar alternativas ao traçado proposto pela Refer "tendo em conta os impactes ambientais, económicos e sociais" que tal opção comportaria.
Na audiência com o secretário de Estado, dizem os autarcas que foi ainda garantido que a construção daquela ligação ferroviária continua a ter um lugar estratégico e prioritário na acção do Governo para o sector, estando a ser estudadas alternativas que permitam encontrar as melhores soluções para a ligação Sines-Elvas e que garantam, simultaneamente, a racionalidade e sustentabilidade do investimento, considerado fundamental para o reforço da competitividade do Porto de Sines e para o desenvolvimento do Alentejo Litoral.Os autarcas da CIMAL salientam ainda que obtiveram do governante a garantia de que será assegurada a sua participação na análise das novas alternativas que vierem a ser consideradas.
A construção da nova ferrovia segundo aquele traçado da Refer implicaria o derrube de cerca de sete a dez mil sobreiros ao longo de uma linha com cerca de 40 km de comprimento por 400m de largura, o que deixou muita gente inconformada e deu origem a um movimento de contestação. O traçado proposto afectaria não só o montado, como também retalharia aldeias, contaminaria lençóis freáticos e zonas de abastecimento de água, quintas históricas e turismos rural já existente na região, além de toda uma estrutura produtiva e geradora de riqueza em emprego que ficaria irremediavelmente afectada, sustentou então a Associação Protectora do Montado, lembrando ainda que os impactes daquele projecto teriam consequências nas árvores e na cortiça e "no habitat que sustenta".
Podemos concluir que a população quando se junta consegue obter presultados.
Houve empenho de todos, desde o mais humilde agricultor às autarquias e conseguiu-se um bom resultado para a região.
Devemos todos recordar este exemplo e empenharmo-nos noutros problemas regionais, inclusive na questão das acessibililidades e alternativas ferroviárias.
Realçamos e agradecemos o contributo da Associação REVER, que levantou este problema e manteve sempre o assunto na ordem do dia.
Acima de tudo, julgamos que esta é uma vitória da REVER e da região!
http://reveraferrovia.blogspot.com/

1.18.2010

Nota de Imprensa

6.ª EDIÇÃO DO FESTIVAL TERRAS SEM SOMBRA DE MÚSICA SACRA
ABRE COM JORDI SAVALL E PEDRO ESTEVAN


Famosa pelas suas condições acústicas, a igreja matriz de Santiago do Cacém recebe, no dia 23 de Janeiro, o concerto de abertura da 6.ª edição do Festival Terras sem Sombra de Música Sacra do Baixo Alentejo, com Jordi Savall e Pedro Estevan. É o ponto de partida para uma temporada que se estende até 8 de Maio e tem como objectivo o aprofundamento das relações entre a música antiga e a expressão artística contemporânea, segundo lembra o título escolhido: “Limites Imensos – A Contemporaneidade na Música Antiga”.
Savall e Estevan, peritos na recuperação de sonoridades esquecidas, assinalam o ponto de partida de um programa ambicioso. O seu recital, fruto de muitos anos de investigação musicológica, privilegia o diálogo Oriente-Ocidente, pondo em confronto “músicas antigas” e “músicas do mundo”. Das tradições sefarditas da Argélia e da Turquia às “danças do vento” e “das espadas” dos berberes e às melodias litúrgicas do Ocidente medieval (Itália, Castela, Leão), um percurso de vários séculos relembra a identidade do Grande Mediterrâneo, ponto de encontro do Judaísmo, do Cristianismo e do Islão em torno de uma herança comum. Algo que faz todo o sentido numa iniciativa destinada a unir a arte de dois senhores da música ao património religioso do Baixo Alentejo, também ele alvo de intenso esforço de resgate nos últimos anos.
O interesse pela aliança das civilizações, aliás, manifesta-se em toda a arquitectura do Festival, que aposta forte no cruzamento de tendências artísticas diversas, sem preconceitos, mas assumindo, como em edições anteriores, grande preocupação com a coerência e a qualidade das propostas apresentadas. Existe uma aposta na valorização das grandes correntes da música sacra, associando-a à redescoberta das igrejas do Baixo Alentejo enquanto espaços de referência para a identidade do território. Esta opção põe em destaque uma realidade que não olha só para o passado e continua a ter papel importante na cultura dos nossos dias. O fio condutor da iniciativa, de resto, assenta no diálogo com os criadores do presente, agentes fundamentais para dar voz a um conjunto de vivências hoje muitas vezes esquecido (ou silenciado).
Isto desperta o interesse do público e da crítica. Contando invariavelmente com “casa cheia” – e algumas igrejas levam mais de 500 pessoas! –, o Terras sem Sombra perfila-se hoje como o ciclo musical mais importante do Alentejo. A sua área de influência, aliás, vai para além das fronteiras da região, atraindo espectadores de diferentes pontos do país e da vizinha Espanha. Para tal contribuem algumas marcas próprias do Festival, a começar pelo facto de que este se propõe traçar, numa linguagem sem elitismos, pensada para o grande público, uma “história da música”, subordinando cada edição a um capítulo do património musical. Outro traço distintivo da iniciativa prende-se com o seu carácter itinerante. Ao invés de estar centrada numa terra, a programação abrange diferentes concelhos da região, escolhendo igrejas com relevância artística e musical. Cada espectáculo é antecedido por visitas guiadas e por uma palestra sobre a história e a arte do monumento.

Festival Terras sem Sombra a caminho da internacionalização
Resultante da parceria do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja com a Arte das Musas, o Festival Terras sem Sombra é dirigido, desde a primeira hora, por José António Falcão e Filipe Faria. Visando a formação de novos públicos e a abertura de igrejas de notável valor, algo fundamental numa região em que, até há pouco, estas lacunas eram gritantes, os seus espectáculos são, todos eles, de acesso livre. Sem bilhetes ou reservas, porque a cultura deve ser um bem acessível a todos, mesmo longe dos grandes circuitos nacionais. Conta-se para isso com a colaboração da Direcção-Geral das Artes do Ministério da Cultura, da Delta e das câmaras municipais dos concelhos visitados. Aos pontos já habituais (Almodôvar, Alvito, Beja, Castro Verde e Santiago do Cacém) associou-se este ano, pela primeira vez, Grândola.
Atingida a maturidade, o Festival permanece fiel à sua vocação – dar a conhecer os grupos portugueses mais qualificados, com um especial atenção para os jovens intérpretes –, mas não descura a internacionalização. O concerto que abre a edição de 2010 representa um passo de gigante nesta caminhada. Conseguir trazer Jordi Savall a Santiago do Cacém, quando se sabe que ele trabalha com uma agenda a longo prazo e é muito rigoroso na selecção dos eventos para os quais é convidado, exigiu persistência e diplomacia. O passo inicial ocorreu em 2002, na altura em que se estudava o lançamento do projecto Terras sem Sombra. Savall realizou um concerto na igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, coincidindo com a exposição “As Formas do Espírito – Arte Sacra da Diocese de Beja”, apoiada pela Santa Sé e por Portugal. O músico ficou entusiasmado com o que viu e quis conhecer o Baixo Alentejo. Ficou assim lançada a base de uma ideia que, desenvolvida com todo o cuidado ao longo dos últimos anos, pôde finalmente concretizar-se.
A escolha da igreja matriz de Santiago do Cacém para o arranque da 6.ª edição do Festival resulta também de um trabalho constante. Fundado em inícios do século XIII, este monumento, sede de uma antiga colegiada da Ordem militar de Santiago, é um dos mais belos exemplos do Gótico monástico-militar. Apesar de pertencer ao Estado e possuir a classificação de monumento nacional, permaneceu durante muito tempo ao abandono. Uma comissão local de salvaguarda conseguiu, em colaboração com o Ministério das Obras Públicas e a Câmara Municipal, recuperá-lo e mantê-lo aberto. As condições acústicas e a aura espiritual fazem dele um sítio muito cobiçado para a interpretação de música antiga, ocupando posição de relevo no Festival Terras sem Sombra.

Savall, mestre de mestres
Jordi Savall ocupa um lugar próprio no universo da música. Há trinta anos que se dedica a revelar maravilhosos fenómenos musicais, abandonados na obscuridade e na indiferença, estudando-os e interpretando-os na viola da gamba ou como maestro. Trata-se de um repertório fundamental oferecido aos melómanos exigentes. Através dos três ensembles musicais fundados com Monserrat Figueras, Hespèrion, La Capella Real de Catalunya e Le Concert des Nations, soube criar um universo repleto de emoções e beleza, dádiva para todos os apaixonados pela música.
Nascido na Catalunha, Savall é uma das personalidades musicais mais polivalentes da sua geração. Concertista, pedagogo, investigador, tornou-se um dos protagonistas da actual revalorização da música histórica. A participação no filme de Alain Corneau, Todas as Manhãs do Mundo (César para a Melhor Banda Sonora), a intensa actividade de concertos (cerca de 140 por ano), a discografia (seis gravações por ano), sem esquecer a criação da sua própria etiqueta, Alia Vox, provam que a música antiga nada tem de elitista.
Colaborador habitual de Savall e Figueras, Pedro Estevan estudou no Conservatório Superior de Música de Madrid e em Aix-en-Provence, onde frequentou o Curso de Percussão Contemporânea e Africana com o senegalês Doudou Ndiaye Rose. Aprofundou também a técnica de “hand drums” com Glen Velez. Foi membro fundador da Orquestra das Nuvens e do Grupo de Percussão de Madrid. Músico eclético, dedica-se principalmente à música antiga e contemporânea. É professor de Percussão Histórica na Escola Superior de Música da Catalunha.

Um grande nome no Festival "Terras Sem Sombra"

Jordi Savall, um dos melhores intérpretes e divulgadores da música antiga, abre no próximo dia 23, em Santiago do Cacém, na Igreja Matriz, o VI Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo – Terras Sem Sombra. Rádio Voz da Planície é parceiro oficial para a divulgação.
"Santiago do Cacém recebe, no próximo dia 23, o primeiro espectáculo da 6ª edição do Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo – Terras Sem Sombra e acolhe um dos melhores intérpretes e divulgadores da música antiga, o catalão Jordi Savall, acompanhado por Pedro Estevan, que costuma actuar nos grandes palcos do mundo e que se disponibilizou para vir fazer uma apresentação do seu trabalho ao Alentejo”, as declarações são de Filipe Faria, da Arte das Musas, parceira do Departamento do Património Histórico e Artístico na organização do Terras Sem Sombra e responsável pela programação deste Festival.
“O VI Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo, que se prolonga até ao dia 8 de Maio, é dedicado ao tema: «Limites imensos: a contemporaneidade na música antiga» e tem como objectivo explorar a relação da música antiga com a contemporânea. Continuar a conhecer o sucesso que temos tido até agora, dar palcos aos novos músicos portugueses, que no nosso País têm dificuldade em entrar na programação dos grandes festivais, e trazer ao Alentejo referências internacionais são os outros objectivos que se pretendem cumprir também na edição 2010 do Terras Sem Sombra”, disse ainda Filipe Faria.

http://www.youtube.com/watch?v=orPuqxoHq6o

http://www.youtube.com/watch?v=Fh9TI7_Im-c

1.14.2010

Fórum Urbano de Alcácer do Sal reúne pela primeira vez

Os parceiros do programa "Regeneração Urbana de Alcácer do Sal...do Castelo ao Sado", constituídos em fórum de discussão, reúnem hoje, pela primeira vez após a assinatura do protocolo de financiamento.
O programa de acção do Ruas vai mudar Alcácer do sal e envolve um investimento global de 8,5 milhões de euros, dos quais aproximadamente 2,3 milhões são comparticipados pelo FEDER, numa iniciativa QREN com apoio no INALENTEJO. O objectivo é valorizar o papel de Alcácer do Sal como a cidade histórica do Litoral Alentejo.Esta reunião, onde estará o núcelo operacional do projecto, constituído por técnicos da autarquia de diferentes áreas e o presidente da câmara municipal, Pedro Paredes, que também preside ao fórum, dá o arranque dos trabalhos que levarão à execução do plano. Periódicamente, o núcleo reunirá com os parceiros e prestará contas do andamento do processo.Os projectos de execução das intervenções de regeneração urbana têm que ser apresentados até Dezembro de 2010 e executados até final de 2012.
Entre os projectos financiados no âmbito da candidatura encontra-se a requalificação do espaço público na margem norte do Sado; a reformulação do Largo 25 de Abril, a requalificação do Largo dos Açougues, a requalificação da Torre do Relógio, a elaboração de um projecto de sinalética integrada, a implementação de sinalética na Frente Ribeirinha e no Centro Histórico e um plano de divulgação e comunicação.De acordo com o programa de acção, para a zona ribeirinha, está ainda programada a criação de uma ecopista contínua de ligação nascente-poente, a reabilitação e dinamização da escola de remo municipal e a ampliação do ancoradouro já existente na margem sul.No centro histórico estão previstas intervenções no Largo Francisco Gentil, bem como a criação de ums solução integrada de recolha de resíduos sólidos urbanos.
Na zona do Castelo, o programa prevê a requalificação do espaço público e a extensão das áreas arqueológicos a descoberto; e a elaboração de um estudo para a estabilização do morro e para a conservação da estrutura fortificada.Os acessos ao Castelo também não foram esquecidos estando programadas intervenções na Estrada de Santa Luzia, rua da Matriz e rua das Torres.Todas as intervenções deverão ser executadas até 2013, cabendo à Câmara encontrar formas de financiamento para as levar a cabo.A reunião decorre no auditório da Biblioteca Municipal de Alcácer do Sal, pelas 20h30 e visa apresentar todos os contornos da candidatura e o seu plano de acção, bem como recolher contributos.

1.06.2010

Santiago do Cacém candidata Reserva de Santo André a “Maravilha Natural"

O Município de Santiago do Cacém anunciou hoje que candidatou a área da Reserva da Lagoa de Santo André, que ocupa cerca de 250 hectares, ao concurso “7 Maravilhas Naturais de Portugal”.
Toda aquela reserva, isolada do mar por um cordão dunar, é uma zona terrestre constituída por um conjunto de ecossistemas litorais e sub-litorais.A área inclui a Lagoa de Santo André e um sistema de pequenas lagoas de água doce formadas em depressões dunares.
O concurso vai ter 21 “maravilhas” finalistas, as quais serão apresentadas para votação pública a 07 de Março de 2010.
Merece uma visita e o nosso voto!



1.05.2010

O Alvalade.info vai encerrar

Mão amiga fez-nos chegar esta comunicação:

O Alvalade.info será encerrado e extinto nas próximas semanas (antes do final de Janeiro como está anunciado).

Agradeço as palavras de solidariedade e compreensão que tenho recebido nestas últimas semanas, maioritáriamente de fora de Alvalade, e o texto no blog "
O Passarinho Cantou" sobre o encerramento da página. Sublinho ainda o email que recebi do sr. Presidente da Casa do Povo de Alvalade, lamentando o fim do Alvalade.info e disponibilizando a instituição para ajudar a manter a página e/ou salvaguardando os conteúdos. Porém, não são os custos de manutenção da página que estão em causa ou que levaram a esta decisão. É que não faz sentido continuar o esforço de divulgar os valores históricos de Alvalade que assiste impávida e serena ao abandono, descaracterização e degradação do seu centro histórico, à desvalorização do seu património cultural, ao desprezo com mais de 20 anos em que foi votado o antigo Cinema, não mostra interesse em salvar o espólio do Posto de Culturas Regadas, não se preocupa com o abandono de cerca de 60 jazidas arqueológicas espalhadas pela freguesia nem promove a mais pequena reacção para resgatar de Messejana o remanescente documental do antigo concelho de Alvalade.

É francamente desmotivador ver que a freguesia despreza, pela inércia, as suas marcas identitárias, e, nesse contexto, continuar a remar contra esta maré de desinteresse pelos valores históricos e culturais de Alvalade, é insistir em travar uma batalha que há muito se afigura perdida.

Se nem as comemorações dos 500 anos do foral são motivo de inspiração ou a pedra de toque para inverter este cenário de evidente perda de identidade, ou mesmo forçar as autarquias a uma mudança de rumo...por mim desisto.
Recuso-me a divulgar uma terra cercada de barracas e pocilgas, um centro histórico que sofre atentados sucessivos sem que um só alvaladense ou instituição levante a voz e exija o mesmo tratamento que é dado ao centro histórico da sede concelhia (que se apresta para receber uma intervenção de vulto já neste ano de 2010), ou o património alvaladense como a Ponte Romana que tem um acesso típico do terceiro mundo, o estado da Fonte da Estação, da Fonte da Bica, das barreiras do adro da Igreja Matriz, etc, etc.

Num cenário ou quadro como este, não tenho qualquer motivação para continuar com a página nem para produzir ou publicar novos artigos ou pequenos "estudos" sobre o passado de Alvalade.

Luis Pedro Ramos


Temos pena que se vá perder mais este espaço de informação, divulgação e alerta relativo à bonita e interessante vila de Alvalade.
É mais um exemplo da desmotivação regional, de algo que merecia ser apoiado e incentivado, mas afinal é depreciado e criticado.
Apenas podemos esperar que o autor deste site mude de opinião, os alvaladenses apoiem esta iniciativa, porque Alvalade e toda a região fica beneficiada com a existência deste site, que deveria servir de exemplo a muitas outras localidades do Alentejo Litoral.
Vamos visitar este local (real e virtual) e deixar uma palavra de incentivo ao seu autor!
http://www.alvalade.info/

O Litoral Alentejano necessita de iniciativas como esta!

1.04.2010

Exposição de Arte do Alentejo com mais de 110 000 visitantes em Lyon

Portugal Eternel entusiasma público francês

Após quatro meses de intensa actividade, a exposição “Portugal Eternel – Patrimoine de la Région de l’Alentejo” concluiu a sua presença em Lyon, no Musée d’Art Religieux, paredes-meias com a basílica de Notre-Dame de Fourvière, no passado 3 de Janeiro. Visitas guiadas, palestras, sessões de acolhimento, jantares temáticos, encontros com os professores e alunos de português da Université Lumière, o pólo II da universidade pública de Lyon, um congresso do Comité de Indumentária do Conselho Internacional dos Monumentos (ICOM), tudo isto deu vida a uma iniciativa que despertou profundo interesse em França e galvanizou a comunidade portuguesa da região.
O resultado está à vista: no período em que a exposição permaneceu em Lyon, Fourvière contou com cerca de 110 000 visitantes. Durante as últimas semanas do período de apresentação ao público, como é habitual nos grandes museus europeus, a pressão intensificou-se. Apesar do frio e da neve, o número dos interessados em conhecer “Portugal Eternel” não abrandou nos derradeiros dias. Foi tal a afluência de visitantes à recepção do museu que os seus responsáveis alargaram o horário de abertura, prolongando-o pela noite fora, de modo a não desapontar ninguém.
Segundo Bernard Berthod, conservador do Musée de Fourvière, o público lionês é exigente, mas informado. Ou seja, selecciona o que há para visitar, a partir dos elementos disponíveis na imprensa e – cada vez mais – na internet, organizando depois o seu tempo livre para ir ao encontro do que mais lhe interessa. “Portugal Eternel” caiu no goto da cidade e teve larga divulgação, dos cartazes no Metro até programas específicos na rádio e na televisão. A cadeia Euronews, sediada em Lyon, desempenhou aqui um papel importante. Os jornais e revistas, com destaque para o diário de maior tiragem “Le Progrès”, dedicaram sucessivas páginas à exposição. Depois, como em todo o lado, funcionou a divulgação boca a boca.
Mons. Philippe Barbarin, cardeal arcebispo de Lyon e primaz das Gálias, deu o tiro de partida logo na inauguração, ao desafiar os lioneses a visitarem uma exposição que, como fez questão de repetir, mostra a importância da arte como factor de mediação entre povos, culturas e religiões. O cardeal Barbarin sabe do que fala: nascido em Rabat (Marrocos), em 1950, e habituado ao diálogo com as gentes mais diversas, conhece bem Portugal, que costumava visitar com os seus pais, ainda jovem, nas férias escolares. Intelectual respeitado, é uma das figuras mais ouvidas, em questões religiosas, no país. As suas palavras contribuíram para gerar uma onda de entusiasmo.

Presença portuguesa desperta entusiasmo em França
Uma das conclusões que se pode tirar deste movimento reside no facto de que o Alentejo gera, em França, verdadeira paixão. Há aqui o reflexo de uma nostalgia pelos grandes espaços e pela autenticidade de uma cultura ainda fiel às suas raízes. Numa Europa urbanizada, profundamente transformada pela mão humana, a liberdade das lonjuras alentejanas representa um poderoso factor de atracção. Mas há mais. Para os olhos de um observador dos países frios, a nossa arte apresenta encantos inesperados. O uso de cores fortes, o apego ao ouro e à prata ou o contacto com civilizações de outros continentes, por exemplo. Ou uma vivência religiosa, intensamente assumida ao nível colectivo, que contrasta com a frieza racional de outras áreas europeias.
“A arte alentejana desperta, em França, um interesse que vai dos meios académicos ao grande público”, salienta José António Falcão, director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, entidade responsável pela iniciativa, em parceria com o Musée d’Art Religieux. “Há o gosto de fruir olhar todas e cada uma das peças, explorando-lhes os pormenores, captando a mensagem de fundo, valorizando as diferenças”, assinala este investigador. Não só franceses, embora estes constituíssem a maioria. Em Fourvière estiveram muitos suíços e italianos – Lyon está perto destes países –, mas também alemães, espanhóis, gregos, japoneses... Com uma média anual de um milhão e meio de visitantes, entre peregrinos e turistas, Fourvière constitui um alvo preferencial da cidade.
Para a comunidade nacional que reside no “Grand Lyon”, a exposição foi uma festa. Aos fins-de-semana e feriados era frequente verem-se famílias de portugueses ou – mais ainda – de luso-franceses a visitarem a exposição. Entre eles destacam-se os que trabalham nas zonas de serviços de Écully, nas indústrias periféricas de Lyon e nas explorações agrícolas de Clermont-Ferrand. Gente que está bem na vida e se orgulha do seu país, dando força a uma intensa actividade associativa. Tanto a Federação das Associações Portuguesas como o Consulado-Geral em Lyon acompanharam de perto a exposição, ajudando a fazer dela uma grande manifestação da cultura portuguesa.

Tesouros desconhecidos
A exposição permitiu a apresentação de peças praticamente desconhecidas mesmo em Portugal. Caso paradigmático é o da “Cabeça Degolada de S. João Baptista”, do antigo convento da Conceição, de Beja – uma escultura em tamanho natural de madeira, sobre uma bandeja de prata. Após o falecimento da última religiosa, em 1892, esta e muitas outras obras do espólio conventual transitaram para a Mitra, sendo expostas no Museu Episcopal. Com a nacionalização dos bens da Igreja pela I República, tais peças ficaram na posse do Estado, integrando os fundos do futuro Museu Regional. Quando o governo, ao abrigo da Concordata de 1940, entregou à Diocese o património que lhe pertencia, a impressionante cabeça permaneceu neste museu, enquanto o prato ficou destinado à catedral. Só agora voltam a ser reunidos, o que é também um exemplo de colaboração ao nível local.
A crítica francesa pôs em destaque os tesouros do Gótico, do Maneirismo e do Barroco dos tesouros eclesiásticos, sublinhando a relevância europeia das igrejas das ordens militares – Santiago, Avis e Hospital (Malta) –, dos conventos e mosteiros e, ainda, de muitas paróquias rurais e urbanas. Foi também sublinhada a presença de importantes obras de arte contemporânea que integram as colecções dos museus diocesanos de Beja, entre as quais a tela “Jacob e o Anjo”, do pintor António Paizana (1994), e a escultura “El Matador”, de Joana Vasconcelos (2007).
Na organização da exposição colaboraram a Agência para o Desenvolvimento do Turismo no Alentejo, o Instituto Camões (Ministério dos Negócios Estrangeiros), o Município de Beja, o Serviço Internacional da Fundação Calouste Gulbenkian e o Turismo de Portugal. A iniciativa decorreu sob o alto patrocínio do Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva.