12.09.2009

Sessão de esclarecimento sobre a linha ferróviaria Sines-Grândola Norte

Da Associação REVER recebemos o seguinte comunicado, que transcrevemos, apelando à participação na sessão de esclarecimento que irá decorrer nas Relvas Verdes na próxima Sexta feira, dia 11 ás 21 horas.
É necessário que tenhamos toda a informação sobre um projecto que poderá alterar significativamente esta região.
Um facto é claro: quase todos os grande projectos tem passado ao lado, deliberadamente, da opinião e conhecimento das populações. Esperemos que não aconteça isto com mais este.

"A ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DO MONTADO CONTRA A FERROVIA RELVAS VERDES/ GRÂNDOLA NORTE (REVER) é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, constituída como resposta à projectada linha ferroviária de mercadorias Sines - Grândola Norte.
O seu objectivo genérico é proteger, defender e valorizar a fileira do montado de agressões externas e da sua destruição pela acção humana, numa perspectiva ambiental, social, económica, interdisciplinar e integrada.
Igualmente promovendo e apoiando no âmbito local, regional, nacional e internacional, programas de acção, iniciativas e actividades que visem fomentar a Intervenção Social e Comunitária no sentido de apontar alternativas e evitar a decisão de construção da projectada linha ferroviária Sines/Elvas, no troço Relvas Verdes – Grândola Norte.
No entanto, e particularizando, existem muitos mais factores que justificam o nosso esforço e o desejo de abranger o maior numero de pessoas neste movimento popular.
A execução deste traçado irá ter um impacto fortemente negativo, que partindo do Porto de Sines e inflectindo na zona das Relvas Verdes para Norte irá desenvolver-se entalado entre Santiago e Santo André, prosseguir cortando entre os montados da serra e as planuras lagunares de Santo André e Melides, contornando os montados da Serra de Grândola.
Tentando elencar alguns dos aspectos negativos podem-se considerar que:
É um longo traçado em paisagem valiosa e que implica um alto custo em expropriações;
Destruição directa de cerca de 10.000 sobreiros, espécie protegida de alto valor comercial, paisagístico e ecológico
Destruição indirecta de um numero desconhecido de outros sobreiros pela devastação da sua envolvente, corte do suporte biofísico e ambiental;
É ecologicamente negativo como contraforte por detrás da área lagunar de grande importância para a avifauna;
É indesejável por cortar a ligação Santiago-Santo André e todas as ligações de Grândola ao litoral.
Corta ao meio diversas povoações como Vale Figueira ou Bairro do Isaías;
Não é aceitável ao lado do Hospital Regional;
Não é recomendável ao longo do Badoca Park;
Destrói centenas de habitações, algumas delas centenárias, ou outras de arquitectura de “autor”;
Acaba com várias unidades produtivas, que são o único sustento dos seus proprietários;
Danifica irremediavelmente as Quintas Históricas classificadas dos Escatelares – Santiago do Cacém;
Arrasa duas estações arqueológicas;
É um desastre político por voltar as costas ao Baixo Alentejo e conduzir o comboio por detrás do "biombo" das serras em direcção a Lisboa e Madrid;
É muito negativo para Ermidas/Alvalade por não considerar esses espaços como entrepostos tradicionais a desenvolver;
Não facilita a possibilidade de virar o crescimento logístico, empresarial e industrial de Sines para o interior, perpendicularmente à costa, estimulando um crescimento longitudinal;
Afasta Beja e o seu aeroporto do Porto de Sines em perto de 100%, no transporte ferroviário (de 80 km para cerca de 160 km);
Afasta igualmente o Algarve, nomeadamente Faro, de 220 km para 300 km;
Para minimizar os inconvenientes teria de prever túneis e viadutos que saem certamente muito caros;
Um dia teria de se pensar num novo ramal para ligar ao Algarve, o que agravava ainda mais as despesas a longo prazo;
E um dos aspectos mais negativos é a forma como o processo tem sido conduzido, no maior dos segredos, com um total desprezo pelas populações locais, agentes económicos e sociais, agricultores, instituições e autarquias.
A informação que existe é escassa, enganosa e não esclarece os desígnios e situação do processo.
A ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DO MONTADO CONTRA A FERROVIA RELVAS VERDES/ GRÂNDOLA NORTE (REVER) não é contra a ligação ferroviária e está perfeitamente ciente da necessidade de escoamento das mercadorias de Sines e da ligação transversal ao interior do Alentejo e a Espanha.
Num altura de grandes dificuldades económicas e existindo já uma ferrovia que poderia ser beneficiada e alterada em troços pontuais, julgamos que seria um enorme dispêndio financeiro a execução deste troço totalmente novo.
Cremos que não foram estudadas as diversas opções, não houve uma reflexão profunda nem avaliadas as alternativas existentes.

Contactos:
aprotectoramontado@gmail.com

http://reveraferrovia.blogspot.com

96 569 2999/91 7344 202/96 806 0097"

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