9.22.2008

Uma vez mais o nemátodo...

É preocupante e triste ver o que está a acontecer à nossa floresta de Pinheiro Bravo.
Se fizermos qualquer estrada, se andarmos pelo campo da nossa região e em especial pelos concelhos de Alcácer, Grândola, Sines e Santiago vemos a grande mancha castanha de pinheiros secos a tomar lugar o lugar da grande mancha verde da nossa floresta.
Não sabemos se as pessoas se terão apercebido que os grande pinhais da Comporta ou da faixa Melides-Sines em meia dúzia de anos serão uma floresta de árvores secas.
Não sabemos se as pessoas se terão apercebido que a Santo André estará em breve rodeada, não de árvores, mas de areia. Será uma cidade no deserto.
Não sabemos se os autarcas se terão apercebido que que os resorts de luxo que se pretendem contruir e que serão os "motores" (??) de desenvolvimento da região, irão ser como Las Vegas ou no Dubai...manchas verdes no meio do deserto.
E muitas mais reflexões se poderiam fazer em face desta praga e deste desastre nacional em termos paisagísticos, ecológicos e económicos (não esquecer que a industria florestal movimenta muitos milhares de euros e de empregos, que na nossa região estão em risco).
Mas uma reflexão é imperativa que se faça: o silêncio dos nossos autarcas, o silêncio das instituições e até o silêncio dos grupos de pressão ecologista.
É para nós incompreensível este manto de silêncio!
Juntamos algumas fotografias tiradas ao acaso, no litoral, e lançamos o repto que nos enviem mais para Alentejo_SW@hotmail.com ...talvez com exemplos reais as pessoas "acordem" para este grave problema.



3 comentários:

Anónimo disse...

mais que os autarcasn querem saber do nemátodo. Eles querem é impostos e receitas nem que para isso seja preciso acabar com o verde todo do litoral alentejano.

Anónimo disse...

É lamentável que não se note nenhum empenho das autarquias locais no combate a esta doença que está a dizimar dezenas e dezenas de árvores na nossa região. Acho que as autarquias deviam ser parte na discussão deste problema e parceiros para se encontrar uma solução. Está em causa especies importantes da região.

Anónimo disse...

No Publico:Proprietários e industriais receiam que pinhal desapareça em meia dúzia de anos
04.10.2008, Ana Fernandes
A O avanço espectacular do nemátodo do pinheiro-bravo no Centro do país, comprovado na quinta-feira por especialistas e técnicos, leva os produtores e industriais a recear que se esteja a assistir aos últimos anos do pinhal bravo em Portugal. Este alarmismo é explicado pela rapidez com que a doença progride numa zona onde as estratégias de combate são dificultadas pelo relevo e pelo abandono.
Vasco Campos, da Caule (associação de produtores florestais da Beira-
-Serra) considera que, "em cinco ou seis anos, a grande maioria das árvores estará morta". Mais pessimista está Pedro Serra Ramos, da ANEFA (Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente), que vaticina o fim do pinhal bravo, como hoje existe, em dois ou três anos.
Apesar do pessimismo com que muitos encaram a situação, todos anseiam por uma estratégia de combate que impeça o avanço do problema. A ANEFA e os produtores florestais consideram que tem de se fazer rapidamente a erradicação das árvores doentes, uma tarefa que teria de passar pelo forte envolvimento das associações de produtores, sobretudo numa zona onde grassa o absentismo.
Mas também sabem que a tarefa é monumental dado o acidentado relevo, que encarece as operações. Assim, a ANEFA propõe que se envolva a indústria da madeira já que, segundo as suas contas, o material a retirar equivale a 2,68 milhões de metros cúbicos, o que corresponde a meio ano do consumo anual das fábricas portuguesas. Mas isto só seria possível "se a indústria consumir durante cerca de sete meses apenas madeira infectada", defende.
Mas outros duvidam que isto seja possível. "Há já um excesso de oferta no mercado, não há escoamento porque a procura baixou dada a conjuntura económica internacional e o preço, em dez anos, caiu quase para metade quando os custos para erradicar estas árvores são enormes", diz Luís Dias, da Confederação dos Agricultores de Portugal. "O problema é gigantesco e a tarefa hercúlea", resume.
Todos exigem que sejam apuradas responsabilidades por a situação ter chegado onde se está hoje. O problema do nemátodo, que seca as árvores, surgiu em 1999 na península de Setúbal. Apesar de elogiarem os primeiros esforços, consideram que, a partir de 2001, tudo se descontrolou. "Andou--se sempre atrás do problema, não à sua frente", diz Luís Dias. E a ausência de fiscalização sobre a circulação da madeira espalhou o problema.
Resta saber o que se faz agora nas zonas devastadas pelo problema. "Vai-se encher de eucalipto, que é a única espécie que ainda dá rendimento", diz Vasco Campos. Mas o provável é ficar ainda mais ao abandono.
2,68
Milhões de metros cúbicos de madeira infectada é quanto se calcula que deverá ter de ser retirado