8.28.2008

Costa alentejana continua sem controlo

Do jornal "Público" retiramos a seguinte notícia, o que mostra que o Alentejo Litoral está no total descontrolo.

E o que é incompreensível é a afirmação da Câmara de Grândola de que não tem meios nem condições de fiscalizar???...será que o Presidente Beato, não contente em ter apoiado e autorizado os mega empreendimentos "Costa Terra", "Pinheirinho", "Tróia" e "Comporta" agora vira costas ao que sobrou da faixa litoral do concelho de Grândola ou será que está a tentar legalizar esta situação e ganhar mais uns metros quadrados de urbanização e de betão?

Será que isto vai continuar e neste país, nesta zona ficam impunes aqueles que constróiem à revelia, abusando, em zona protegidas?

E por falar em zonas protegidas...uma fotografia do estado em que deixam as dunas os veraneantes da Praia de S. Torpes: má educação? falta de civismo? falta de caixotes do lixo? falta de limpeza?


"Clandestinos "crescem como cogumelos" junto a Melides "

A cerca de meio quilómetro da praia de Melides e no interior de um denso pinhal, inscrito na rede Natura 2000, o mais variado tipo de casas clandestinas "crescem como cogumelos". A expressão é do presidente da Câmara de Grândola, Carlos Beato, que admite não ter meios para resolver a situação.A construção ilegal cresceu a partir 1995, quando foram demolidas cerca de 200 barracas na duna primária sobranceira à praia, e sofreu um novo incremento nos últimos cinco anos. Os procedimentos são os mesmos que na península de Setúbal e concelhos periféricos de Lisboa. O terreno é loteado em fracções - operação desenvolvida há 30 anos - e o proprietário solicita à EDP electricidade para abrir um furo artesiano. A seguir, o lote é vedado e ergue-se um pré-fabricado. O espaço abarracado vai dando lugar a uma construção em alvenaria.Consoante o poder financeiro, continuam a erguer-se casas modestas ou mansões, onde não falta a piscina, campos de ténis e/ou de basquetebol, parque infantil, garagem, zonas ajardinadas, churrasqueira e portão automático.

Proliferam os pormenores kitsch de uma Vivenda Peggy, pintada a tinta cor-de-rosa, ou a Vivenda Resina, rodeada de eucaliptos. Acessos ostentam avisos de "propriedade privada", escritos a marcador num rectângulo de papelão. A ilegalidade não escolhe nacionalidades. A Câmara de Grândola limpou recentemente uma área de pinhal onde uma alemã instalou um campingplatze (parque de campismo). Ao lado de moradias, algumas com 220 metros quadrados de área coberta, erguem-se barracas de madeira cobertas de chapa metálica ou de plástico, construções em tosco, caravanas com anexos construídos em alvenaria, estruturas incompletas que avançam à medida das disponibilidades financeiras dos seus proprietários.Três centenas de ilegais.

As construções mais sofisticadas possuem sistemas eólicos e fotovoltaicos. A "urbanização" estende-se por quatro parcelas de terreno com mais de um quilómetro de comprimento, por 100 metros de largura, no interior de um denso pinhal com manchas de eucaliptos. Dário Cardador, dirigente da Quercus, diz que a associação ambientalista já solicitou à Câmara de Grândola uma solução para travar o crescimento do bairro clandestino, "onde não há ordenamento, nem rede de esgotos e de água".

O presidente da autarquia reconhece estar perante um problema "muito complicado". Carlos Beato acredita que estará para breve uma solução com base nas contrapartidas que pretende negociar com os "promotores interessados" na instalação da área de desenvolvimento turístico prevista no Plano de Ordenamento da Orla Costeira Sintra/Sines, para o concelho de Grândola.

O autarca pretende resolver "com bom senso e equilíbrio" a situação de ilegalidade que envolve os proprietários de mais de 300 habitações, construídas nos últimos 30 anos. A proliferação de clandestinos, nota, "não pode continuar", mas a câmara, só por si, "não tem condições para fiscalizar" o aparecimento de novas casas, que ao fim-de-semana "crescem como cogumelos". Noâmbito do projecto de requalificação da lagoa de Melides, em 1995, o executivo camarário ordenou a demolição de um bairro de lata de grande dimensão, com mais de 200 barracas construídas clandestinamente desde 1975 sobre a duna primária na praia de Melides. Só 13 anos mais tarde, em Março de 2008, é que chegou a vez de os seis restaurantes instalados entre a praia e a lagoa serem demolidos, uma acção que faz parte de um projecto de requalificação ambiental daquela zona da costa portuguesa que prevê a gestão no plano de água, na barra e na envolvente directa do sistema lagunar que enfrenta um grave problema de eutrofização. Neste sentido está a ser elaborado um estudo, que incide sobre a lagoa de Melides, um sistema lagunar costeiro que estabelece um contínuo com as lagoas da Sancha e de Santo André, protegidas por Reserva Natural. Em particular, foram estudados os problemas de eutrofização que se encontram associados a dois factores principais - afluxo de nutrientes à lagoa e a instabilidade da barra de ligação com o mar. Para ambos os fenómenos foram elaboradas propostas e recomendações para uma optimização da gestão da lagoa de Melides. Cerca de 600 mil euros já estão a ser investidos na recuperação da praia, enquanto a recuperação da lagoa aguarda por melhores dias.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1340660&idCanal=59


8.25.2008

Um bom Blogue e um excelente "post"

Gostaria de vos chamar a atenção para o blogue http://estacaodesines.blogspot.com/ e para o post Continua em revisão, mas pronto para discussão com uma lista das coisas "do melhor", "talvez" e "francamente mau" de Sines.
Lançamos o desafio de se proporem listas semelhantes para os restantes Concelhos: Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Odemira.

8.19.2008

Personalidades do Litoral Alentejano II



No seguimento do post em que sugerimos crias uma galeria de notáveis da nossa região, aqui está um resumo dos nomes que foram sugeridos.



Julgamos que esta lista ainda pode, e deve, ser aumentada.



Ficamos a aguardar mais contribuições.






Bernardim Ribeiro



Vasco da Gama




Pedro Nunes


Dr. João Cruz e Silva


João Branco Núncio


Padre António Macedo


António Chaínho


Al Berto


Manuel da Fonseca



Camacho Costa


Trio Odemira


Dr. AntónioInácio Cruz


José Miguel da Costa


Dr. José António Falcão


Arq. Francisco Lobo de Vasconcellos


Dr. João Faria


Maria Amália


Prof. Dinis Silva


Luis Silva do Ó


José Matias


Raul Oliveira


Padre Malvar da Fonseca


Conde de Avillez


Conde do Bracial


Arnaldo Soledade


D.Vataça


Lagoa de Santo André




Algumas imagens de uma das grandes mais valias do nosso Alentejo Litoral: a Lagoa de Santo André.





8.18.2008

Invasão de área protegida na costa alentejana sem controlo

Do "Público" de 16.08.2008, retiramos a seguinte notícia, que mostra bem o desgoverno que se vive e a falta de cuidado e atenção para um dos ex-libris do Litoral Alentejano.
"Estacionam para férias onde mais ninguém consegue. Os autarcas não sabem o que fazer e as autoridades queixam-se da falta de meios para evitar violações à lei.
Estrada que liga São Torpes a Porto Covo.
Manhã da passada segunda-feira. Um ruidoso buzinão fazia-se ouvir contra uma autocaravana que seguia à frente de uma fila de viaturas com cerca de 50 metros. Logo atrás, um condutor esbracejava, carregava na buzina e dava murros no volante. À frente dos seus olhos, cobrindo toda a faixa de rodagem e metade da contrária, circulava, entre o devagar e o devagarinho, a casa motorizada com matrícula holandesa.A odisseia terminou quando um dos buzinadores meteu conversa em inglês com o turista, que, afinal, estava perdido. Este género de incidente é o que tem dado mais alento aos que contestam o elevado número de autocaravanas que atrapalham o trânsito.
Mas este é o mal menor. A invasão dos melhores miradouros naturais, de dunas e falésias e o lixo que é deixado um pouco por todo o lado deixam marcas bastante mais negativas. O fenómeno é nacional, mas onde se faz sentir com maior acutilância é nos grandes espaços abertos da costa alentejana, entre Sines e a ponta de Sagres. Um fenómeno que não pára de crescer e que ninguém controla, apesar da lei existente.
É ao fim-de-semana e nos meses de Verão que este género de turismo ganha contornos de invasão. As autocaravanas posicionavam-se às centenas por tudo o que é falésia, parque de estacionamento no interior e exterior das zonas urbanas, nas dunas e nos locais à beira-mar. O espectáculo torna-se bastante agressivo do ponto de vista paisagístico e os protestos de um número crescente de autarquias fazem-se ouvir. Contudo, as autocaravanas passam em todas as direcções, indiferentes aos danos que, muitas vezes, causam nos locais onde se instalam.
Este mal-estar é reconhecido por alguns autocaravanistas. Pedro Góis partiu de Guimarães há duas semanas para percorrer o que pudesse da costa portuguesa a partir de Tróia. Pelo que já viu, diz haver "degradação ambiental e paisagística em espaços naturais" e lamenta que haja comportamentos de algumas pessoas que revelam falta de cuidado com a "higiene e a limpeza dos locais onde acampam".
Num documento aprovado pela Câmara Municipal de Aljezur, está expresso o desconforto e o mal-estar pelo "aumento drástico do campismo e caravanismo selvagem, que diariamente destroem o litoral" alentejano. José Arsénio, presidente da Junta de Freguesia de Porto Covo, classifica mesmo de "preocupante" o comportamento dos autocaravanistas que "não agrada a ninguém". O autocaravanismo "está associado à produção de muito lixo", refere o autarca, revelando que é frequente "despejarem" as águas residuais que produzem no sistema de águas pluviais da rede pública.
A junta de freguesia nada pode fazer nas falésias quando são terrenos particulares e do domínio público marítimo, a não ser recolher o lixo que lá é deixado. Mas nesta altura do ano, quando a população de Porto Covo aumenta seis vezes mais em número, o sistema municipal de recolha de resíduos domésticos dificilmente pode ocorrer a este tipo de situações. "Torna-se complicado suportar as necessidades dessas pessoas", acentua o autarca. "O que nos resta é vedar o acesso a estes locais, mas eles [autocaravanistas] arrancam as estacas de madeira" que são colocadas, denuncia.
O seu colega autarca da Zambujeira do Mar António Viana enfrenta o mesmo problema. "É difícil controlar o estacionamento das autocaravanas" diz, frisando que a GNR " não dá conta do problema".
Por outro lado, a lei permite que o estacionamento das autocaravanas se faça por um dia e uma noite. Acontece que boa parte vem para ficar mais tempo. "Colocam calços nas rodas e desde que as viaturas estejam fechadas e sem o proprietário à vista só com um mandado judicial é que podemos tirá-las do local", refere o autarca. A solução passa por impedir o acesso a determinados locais, mas mesmo esta solução está a revelar-se "complicada", admite António Viana.
Numa das falésias mais deslumbrantes de Porto Covo, cinco pessoas, três gerações da família de Nélio Marques (esposa, filho de um ano e pais), vindos de um meio rural do distrito de Coimbra, acomodavam-se sem problemas de maior no interior de uma autocaravana que custara 50.000 euros."É uma forma de fazer campismo melhor que nos parques de campismo", declara o patriarca da família, explicando que escolheram aquela falésia "por ter visto outros" no mesmo local. Procuram sempre juntar-se aos agrupamentos de autocaravanas. "É uma estratégia" que tem em vista a segurança da família, argumenta Nélio Marques. Esta forma de acampar oferece grande autonomia - a caravana tem água, instalações sanitárias, camas para todos e no exterior podem sem ser instaladas mesas, cadeiras e uma cozinha.
Contudo, Nélio Marques não é alheio "à atitude anticaravanismo" que está em crescendo por todo o país.
A sul de Porto Covo todos os concelhos, sem excepção, aprovaram regulamentos municipais que proíbem o estacionamento de autocaravanas, mas de pouco valeu.
Autarcas confirmam degradação ambiental em espaços naturais, mas dizem nada poder fazer