7.02.2008

Suspensão da Central Termoeléctrica de Sines?

As novas metas climáticas europeias podem implicar suspensão da central de Sines,o que coloca a hipótese num dos três cenários de um estudo apresentado hoje.
O Secretário de Estado do Ambiente diz que não é nenhuma "pré-decisão" e EDP afasta essa possibilidade.
Portugal terá de suspender a actividade da central térmica de Sines - a maior do país - se quiser cumprir, e ainda assim parcialmente, as novas metas energéticas para 2020 que estão neste momento a ser discutidas na União Europeia (UE). Este é um dos cenários de um estudo que é apresentado hoje, em Lisboa, no primeiro Fórum para as Alterações Climáticas, um encontro aberto à sociedade civil promovido pelo Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional.
O estudo Portugal Clima 2020, realizado por técnicos do Ministério do Ambiente e consultores externos, avaliou o impacto em Portugal das propostas da Comissão Europeia para reduzir as emissões de carbono e fomentar as energias renováveis, conforme o pacote clima-energia adoptado pela UE no ano passado.São três as directivas sugeridas por Bruxelas. Se forem aprovadas, Portugal terá de ter, no seu bolo energético, 31 por cento de renováveis em 2020. O país terá ainda de contribuir para uma redução global de 21 por cento no dióxido de carbono das indústrias, através de uma nova versão do comércio europeu de licenças de emissões. E os sectores fora do comércio de emissões - como o dos transportes e o residencial - poderão aumentar as suas emissões, mas apenas em um por cento, em relação a 2005.O estudo hoje apresentado traça três cenários.
O que mais se aproxima do cumprimento das metas pressupõe uma maior aposta nas energias renováveis "e a suspensão da actividade da central a carvão de Sines".Com isso, Portugal cumpriria a meta das renováveis e dos sectores não incluídos no comércio de emissões. Falharia a redução de 21 por cento nas indústrias - uma meta global para a UE -, mas a suspensão de Sines permitiria alguma diminuição (nove por cento), quando nos outros dois cenários há um aumento (dez por cento).
A central de Sines é a unidade industrial que mais emite CO2 em Portugal - cerca de 8,2 milhões de toneladas, em média, nos últimos três anos, ou dez por cento das emissões totais do país em 2006. A partir deste ano e até 2012, Sines terá licenças de poluição equivalentes a apenas 5,8 milhões de toneladas por ano.
O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, diz que a suspensão da actividade de Sines não é meramente uma hipótese académica, mas também "não é uma pré-decisão". Aquele cenário será eventualmente possível, diz Humberto Rosa, "se conseguirmos atingir metas ambiciosas para as energias renováveis".
Mas para a EDP, proprietária da central, o assunto está fora de questão. "Não está previsto o encerramento da central de Sines, por parte da EDP", sustenta a empresa, numa resposta escrita a perguntas do PÚBLICO. "O que estamos a fazer é a investir em termos ambientais na central, não só naquilo que é já hoje obrigatório [...], mas também antecipando aquilo [...] que vai ser obrigatório dentro de alguns anos."Para o país atingir as metas europeias, será também preciso cumprir tudo o que já está previsto para controlar as emissões de CO2. A última monitorização do Programa Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC), porém, revela atrasos. Na área dos transportes, por exemplo, das 22 medidas do PNAC apenas três mostram uma evolução positiva, segundo a associação ambientalista Quercus. As que teriam maior peso, como a operacionalização das autoridades metropolitanas de transportes, continuam no papel."São sinais de alarme, sem dúvida nenhuma", reconhece o secretário de Estado do Ambiente. Mas poderão ser adoptados planos de contingência para medidas do PNAC que não estejam a resultar. Quanto aos cenários para o futuro, Humberto Rosa diz que os resultados do estudo não chegam a causar desconforto. "Parece-nos uma situação exigente", afirma.

8 comentários:

ar puro É VIDA disse...

Por mim pode acabar já hoje que não me vai deixar saudades nenhumas. Força com isso!!

Anónimo disse...

Se alguns politicos importantes tivessem a sofrer a influencia da poluição da central já tinham acabado com ela. Como são os outros que levam com aquela porcaria toda que se aguentem.

pelos nas pernas disse...

Força com isso!!!!!!!!!!!!!
Abaixo-assinados já!!!!!!!!!!!
Vamos todos contribuir.
A Camara de Sines devia ser a primeira subscritora.
O problema é isso ser verdade e possivel.

USS disse...

Que interesses se escondem atrás dos ataques à Central de Sines?

Defender os interesses do país, dos consumidores e dos trabalhadores

Começam a ser frequentes as notícias sobre a Central Termoeléctrica de Sines, envoltas sempre num agitar do fantasma da maior poluidora, afastando sempre – o que só pode resultar de intenção deliberada – os cerca de 400 milhões de euros em investimentos na área do ambiente e a certificação existente.
Recentemente, mais uma vez, esta volta a ser alvo de vários artigos e declarações que, como é óbvio, lançam, um clima de instabilidade em todos aqueles que ali têm o seu posto de trabalho.
Por outro lado, não aceitamos lições de ambiente, o qual sempre foi uma preocupação nossa de primeira linha, e muito menos de quem procura impor aos outros aquilo que não pratica e não defende em relação aos grandes culpados do que se passa a nível mundial.
É preciso não esquecer que os investimentos feitos – e a fazer - na Central se reflectem, também, na factura dos consumidores. Também, por isso, ninguém tem o direito de andar a brincar com matérias sérias e de consequências desastrosas, caso se consumassem.
Mas, como todos já percebemos, os interesses são muito mais profundos e giram à volta de gente que está muito longe de ter preocupações com os trabalhadores e seus direitos, estando, isso sim, empenhados com a subserviência e que, por esse facto, os deixem entrar no círculo dos “amigos” e da procura de vantagens pessoais ou de grupo.
Como sempre, o SIESI, certo de interpretar os interesses mais profundos dos trabalhadores, já solicitou uma reunião ao Conselho de Administração da EDP e, caso se mostre necessário, efectuará idênticos pedidos a todas as entidades que directa ou indirectamente possam ter intervenção neste assunto.
Logo que existam desenvolvimentos daremos conhecimento.
_________________
Comunicado do Sindicato que naquela empresa representa os trabalhadores

crescer disse...

Era óptimo que se pudesse encerrar...

E depois produzíamos energia a partir do quê? Dos aerogeradores de Porto Covo? Ou de Centrais Atómicas?

Primeiro alternativas viáveis tanto economicamente como ambientalmente só depois o encerramento, senão acontece o menos que os centros de saúde.

Anónimo disse...

Arranjem-se formas de recuperar os trabalhadores da central noutros empregos compativeis e fechem aquela porcaria que está a arrebentar lentamente com a nossa saúde e dos nossos filhos e netos. Acabem-se todos tipos de indústrias à base das energias fosseis. Sou a favor da implosão da central de Sines.

Chicão disse...

Não duvido nada que o litoral alentejano ficaria muito mais bonito sem aquele monstro negro no horizonte mas temos que ver que dá emprego e dá pão a muita gente.

FALÂNCIO disse...

VAI TUDO ABAIXO. Quiri, quiri, quiri, quiri. Mandem os trabalhadores para outras empresas e mandem a central ABAIXO a bem do povo da região que merece menos poluição e um ar mais puro!