3.15.2008

Demolidos os restaurantes na praia de Melides

Cerca de 600 mil euros vão ser investidos na recuperação da praia, enquanto a lagoa aguarda por melhores dias.
"Senhor engenheiro, pode mandar retomar os trabalhos" de demolição dos restaurantes da praia de Melides, que tinham sido iniciados sem a presença do ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia. A ordem partiu do presidente da Câmara de Grândola, Carlos Beato, que não gostou de ver as máquinas a derrubar as casas antes da chegada do governante que ontem ali se deslocou para assistir "a um acto que nos deve encher de orgulho", sentenciou Nunes Correia.Treze anos após a demolição de mais de 200 barracas construídas clandestinamente entre 1975 e 1995 sobre a duna primária na praia de Melides, chegou a vez dos seis restaurantes instalados entre a praia e a lagoa serem demolidos. Os seus proprietários, que vão ter de construir novas instalações a uma distância de 600 metros do areal, não conseguem esconder a sua apreensão, embora enalteçam o "extraordinário apoio" que tem sido prestado pela câmara na satisfação dos seus interesses.Um dos proprietários, Paulo Caetano, deu a conhecer a sua opinião ao ministro do Ambiente, mal este saiu do carro que o transportava. "Não compreendemos a razão por que se começa a casa pelo telhado" destacou, referindo-se à opção de se demolir primeiro para construir depois os novos restaurantes, quando "devia ser ao contrário". O presidente do Instituto da Água (Inag) também se deslocou a Melides e lembrou que foram realizadas "mais de uma dúzia de reuniões" para discutir a questão "até que se chegou "a uma forma de consenso" que permitiu elaborar um conjunto de intervenções de requalificação do litoral e previstas no Plano de Praia de Melides do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Sado-Sines e no Programa de Acção do Litoral 2007/2013 .Estas acções passam pela demolição das construções que ocupam o sistema dunar para requalificar o sistema, assim como os acessos à praia. O projecto, que tem um prazo de execução de oito meses, para estar concluído no próximo mês de Novembro, vai custar mais de 600 mil euros. O Inag apresentou uma candidatura ao Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) para o financiamento desta obra.Após a demolição dos seis restaurantes, serão instaladas uma estrutura de acesso à praia que substituirá o passadiço ali existente, novas zonas de sombreamento nas áreas de estacionamento e espaços verdes com replantação de árvores. Por fim, terá lugar a recomposição do sistema dunar e a construção de um novo apoio de praia.Nunes Correia considerou que "o Portugal de hoje já não é o Portugal dos anos 70" e que até os promotores imobiliários "já perceberam que têm de fazer projectos de qualidade".Falando do papel das câmaras municipais na degradação da costa portuguesa, o ministro do Ambiente acredita que "as autarquias não albergam um bando de malfeitores" embora "o Estado não se possa alhear" da responsabilidade em matéria de fiscalização. Lagoa aguardaSobre a recuperação ambiental da lagoa de Melides, nada foi adiantado para além da informação prestada pelo presidente do Inag que "grande parte" dos esgotos que eram lançados no sistema lagunar " está a ser tratada". Um produtor de arroz, que tem a sua área de cultivo a montante do sistema lagunar, revelou ao PÚBLICO que a CCDR da Região Alentejo lhes propôs a cultura de arroz biológico, para obstar à descarga de águas contaminadas com pesticidas, para a lagoa.Nunes Correia, instado a revelar se estarão programadas mais demolições noutras zonas da costa portuguesa, como por exemplo na urbanização de Soltróia, em Grândola, onde várias vivendas de grande dimensão foram construídas em cima da duna primária, limitou-se a responder que não foi ele que autorizou essas construções. No entanto, adiantou que em 2006 foram demolidas 18 construções clandestinas, em 2007 esse número subiu para 70 e em 2008 "haverá mais", sem precisar quantas. O governante explicou que as demolições nas zonas costeiras são um processo "muito complicado", que chega a levar quatro anos, porque "há procedimentos a respeitar".

4 comentários:

escangalhado disse...

Depois do show das televisões, com quase transmissões em directo das "demolições" , e com a revelação de que o sr. Presidente da C.M. de Grãndola teria ficado muito incomodado pelo facto da festa/,demolições ter começado antes da presença do inefável Ministro do Ambiente, fácilmente se percebe que mais uma vez foi, com toda a pompa e circunstancia, encenada uma operação para atirar areia (que ali abunda), para os olhos de quase todos.
Quase todos porque felizmente ainda há quem, não vá nem caia na conversa fiada dos autarcas, promotores e principalmente da AERSET, pela boca e bolso do seu presidente a acólitos.

Anónimo disse...

Os mais fracos estão sempre lixados porque o que não falta na região são empreendimentos turisticos que foram aprovados mais perto do mar, mas como são dos grandes capitalistas deste país como o Belmiro de Azevedo e outros grupos, as câmaras aprovaram sem problemas nenhuns. Estes desgraçados dos restaurantes, não têm hipotese e têm que ficar a 600 metros da praia enquanto outros foram aprovados a 100 e a 200 metros. Ora era a 600 metros para todos, ou então isto cheira a discriminação pelo que se pode dizer que o que manda neste país é o dinheiro.

arlindo marreco disse...

POIS É, DA SOLTROIA NÃO SOUBE RESPONDER E DEU UMA DESCULPA ESFARRAPADA PRÓPRIA DE QUEM GOVERNA EM CIMA DO JOELHO, AOS TRAMBUILHÕES E NÃO DE FORMA UNIFORME.

Carriço disse...

O sr. Dr. Carlos Beato um dia que perca as eleições desaparece de Grãndola que nunca mais ninguém lhe põe os olhos em cima na vila morena, e ainda tou um bocado aério como é que ele conseguiu chegar à câmara de grãndola porque nem falar sabe. Estas demolições foi mais outra bela trapalhada como muitas outras mas o povo de Grãndola não dorme sempre e ainda vai acordar um dia.