2.08.2008

Lousal: Projecto recria descida real a minas de pirite

Nem tudo é mau na nossa zona...mão amiga fez-nos chegar esta informação...obrigado!
Há 20 anos que ninguém entra nas minas de pirite da aldeia do Lousal. Um projecto ambicioso e pioneiro a nível ibérico pretende agora recriar o percurso dos mineiros com uma descida real num elevador panorâmico às profundezas da terra.
A descida à mina integra-se num programa global de desenvolvimento e redinamização do Lousal (Relousal), que aproveitou o património industrial e geológico para travar a degradação económica e social após o fim da exploração mineira, criando novas oportunidades de emprego para a população.
Trata-se de «um projecto único a nível ibérico», disse Fernando Fantasia, administrador e porta-voz da Fundação Frédéric Velge, entidade que congrega os antigos proprietários das minas (Sapec) e a câmara de Grândola e que gere o programa Relousal.
«O sucesso do Relousal depende em grande medida da descida à mina», salientou o mesmo responsável, adiantando que os promotores vão avançar com uma candidatura aos fundos comunitários para fazer face ao elevado investimento, estimado em dez milhões de euros.
Os percursos que o Centro de Ciência Interactiva do Lousal proporciona estão concebidos como uma viagem interactiva que começa na superfície e vai até ao subsolo em que o visitante recebe informação e participa através de experiências e de ambientes recriados.
O primeiro percurso inicia-se à superfície, no edifício de trituração do minério, onde a exposição é atravessada por um modelo tridimensional com 16 metros de comprimento que representa todos os poços, galerias e chaminés da mina.
A descida à mina é feita através do Poço Waldemar, cujas galerias se dividem por dois níveis, a 30 e a 45 metros de profundidade. A maior parte das galerias deste poço ao nível 30 encontram-se ainda em bom estado, devido ao facto de não estarem inundadas, mas também porque serviram de paiol nos últimos anos de exploração.
No espaço Malacate, os grupos equipam-se com capacete, lanterna, impermeável e botas.
Prosseguem então com a visita ao Poço 1, no topo dos silos, onde acedem através de um passadiço que percorre todo o edifício da trituração. Continuam em direcção ao Poço 2, através de um funicular que permite descobrir as cores e formas estranhas da Corta (escombreiras e exploração mineira a céu aberto).
Da plataforma do Poço 2, seguem para o Poço Waldemar através de uma ponte pedonal que encurta distâncias e oferece mais vistas panorâmicas sobre o espectáculo da Corta.
Descem então num elevador panorâmico com capacidade para 16 pessoas, a partir do qual se pode avistar o Lousal mineiro, antes de entrar nas profundezas da terra.
No interior da mina, os visitantes descem aos 45 metros de profundidade, onde a escuridão é absoluta.
Num terceiro caminho, percorre-se a Corta com paragens em vários pontos de interesse como as escombreiras, o jazigo de pirites ou uma nascente de ácidas.
Para o presidente da câmara de Grândola, Carlos Beato, «o projecto da descida à mina faz toda a diferença, e iria ajudar a complementar a oferta turística, para que não esteja tudo concentrado no litoral».
O autarca recordou que «a mina foi o factor social e económico mais importante deste concelho durante muitos anos».
Com o encerramento das minas, em 1988, deu-se um inevitável processo de desertificação humana e degradação social.
«De um dia para o outro, desapareceu a razão de existir de uma comunidade», notou Carlos Beato, salientando a importância de recuperar as infra-estruturas mineiras do Lousal para que a aldeia se converta novamente num pólo de atracção, atraindo turistas e fixando a população.
O centro científico Mina de Ciência é outra das iniciativas do Relousal, já em fase avançada e com inauguração prevista para Maio.
Situado no perímetro de uma antiga mina de pirite, o centro está instalado num edifício parcialmente reabilitado onde se preservaram as características originais da construção «para que não se perca a memória do que aconteceu», descreveu o investigador Jorge Relvas, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Os conteúdos científicos estão a ser produzidos por dezenas de cientistas, investigadores e especialistas em computação gráfica.
O principal atractivo é a infra-estrutura CAVE (Computer Assisted Virtual Environment) com tecnologia de realidade virtual que permite simular cenários e criar percepções visuais, auditivas e olfactivas.
Noutra sala, os visitantes encontram suspensos de uma parede três Volkswagens: um completo e outros que foram sucessivamente subtraídos das suas componentes fabricadas com recursos minerais (peças metálicas, vidros, baquelites, etc.), mostrando a dependência face aos recursos geológicos.
«Sem terra não há Carochas», é a designação desta exposição.
«Descobrir a rir» é uma área onde se propõem jogos interactivos e actividades adequadas às crianças.
No antigo balneário, vai ser possível tomar um «Banho de Ciência» através de vários módulos interactivos.
No local onde funciona actualmente o auditório vão ser instalados meios de projecção 2D e 3D para visualizar filmes antes do final da visita.
O objectivo da Mina de Ciência, que custou 2,5 milhões de euros, é captar a atenção do público infantil e juvenil, mas atrair também estudantes, investigadores e empresários.
Além deste centro, a antiga vila mineira do Lousal conta já com vários aliciantes turísticos: uma albergaria na antiga casa do administrador das minas, um restaurante instalado num antigo armazém, um centro de artesanato cujos artífices são antigos mineiros, um mercado onde se vendem produtos regionais, um museu que deu nova vida à antiga central eléctrica.
«Depois do encerramento da mina, quisemos utilizar o orgulho de ser mineiro para os motivar e transformar este espaço numa homenagem à cultura alentejana e à memória da actividade mineira na faixa piritosa», salientou Fernando Fantasia.
As visitas guiadas comprovam o sucesso da iniciativa. Por ano, o Lousal recebe cerca de 50 mil pessoas que procuram conhecer melhor a memória viva de uma indústria que ao longo de um século dinamizou aquela região.

8 comentários:

Luis Pedro Ramos disse...

É de facto um projecto muito interessante, que porventura irá impedir a morte daquela localidade.
Não com a dimensão das minas do Lousal, temos também no concelho de Santiago do Cacém e Litoral Alentejano um conjunto significativo de estruturas abandonadas que também podiam ser objecto de projectos de musealização e por essa via darem corpo a um circuito turístico-cultural. Velhos lagares, antigas moagens, etc, justificariam um projecto de valorização e por certo seriam um valioso contributo para ajudar a perceber a evolução social e económica da região.

Por outro lado, existem ainda, por exemplo no caso de Alvalade, várias villae romanas que os entendidos dizem ter tido estreita ligação a Miróbriga no que respeita ao fornecimento de produtos agricolas à cidade romana santiaguense que também podiam ser estudadas, escavadas e eventualmente musealizadas integrando também um circuito sobre a presença romana no concelho ou na região. Com protocolos com universidades, etc, promovendo campanhas de Verão, por exemplo.
Julgo que também como Grândola não nos faltam, no concelho de Santiago, potencialidades em matéria de património cultural. O que nos falta são políticas culturais que valorizem e tirem partido do imenso património cultural que aos poucos vai desaparecendo.

Marina disse...

Por acaso já lá fui ao Lousal e mesmo que aquilo não esteja ainda completo tá bastante engraçado. Podia era tar melhor divulgado porque penso que muita gente não conhece ainda.

santiaguense de gema disse...

O Alentejo Litoral de facto tem coisas extremamente interessantes e diversificadas para ser uma região de turismo de excelência. Temos praia, campo, montanha, o badoka, turismo rural, Miróbriga, vários castelos, igrejas lindas, aldeias e vilas rurais, o Lousal que é uma oferta rara, o Festival de Musicas do Mundo, museus vários e muito património arquitectónico.

Mas porque é que não há mais turistas no Alentejo Litoral ?

Estamos satisfeitos com o número de turistas que temos ao longo do ano ?

De Santo André com carinho disse...

Há montes de tempo que não se ouve falar do tal projecto "Do Castelo Novo ao Castelo Velho" (era esse o nome?), nem de se tirar o cemitério do castelo de Santiago. Não faço ideia o que é que aconteceu que nunca mais se falou nisso, mas com estes presidente e trupe de vereadores (nem se aproveita um) deve ser coisa metida na gaveta para voltar a sair nas proximas eleições.

Anónimo disse...

Miróbriga é mais importante que as minas do Lousal, mas teve a infelicidade de estar numa terra que não as sabe aproveitar como deve ser desde a câmara municipal, às forças vivas, até aos santiaguenses. Chama-se a isto não ter unhas para tocar viola, porque apesar daquilo estar nas mãos do estado se fosse noutra terra mais unida outro galo cantaria. Santiago está cheia de novos ricos e muita vaidade.

Anónimo disse...

O Lousal é único neste nosso Portugal! É mesmo lindo..quando tenho um tempinho é para onde vou. Visitar a Mina, almoçar uma boa gastronomía alentejana ao som de cantares de ex-mineros, no Restaurante Armazém Central. Depois vou dar uma volta, visitar o Centro de Artesanato e as vezes até fico a dormir na Albergaria. Vale a pena conhecer as Minas do Lousal!!

RENATO disse...

O LOUSAL PODERIA TER MUITA COISA,MAS NADA SE FAZ LÁ PARA BEM DISTO TUDO

RENATO disse...

É O DEFEITO DE NÓS PORTUGUESES ACRE3DITAMOS EM TUDO,EU SÓ FAÇO UMA PERGUNTA PENÇA QUE HAVERA ALGUEM QUE VÁ Á MINA,EU FUI LÁ DURANTE SEIS ANOS