2.06.2008

Governo retira da REN parte da Comporta

É pena que as notícias deste blogue acabem sempre por ser da a mesma natureza...mas apenas são o espelho do que o Litoral Alentajano se tornou...uma região em que só conta a faixa de 5 quilômetros junto da costa e até Sines...para construir...o resto, como dizia alguém...é o deserto!
O actual governo achou aqui uma galinha de ovos de ouro e, como na fábula, está a matá-la, apoiado pelos grande interesses económicos (que nem são da nossa região) e, espante-se, pelos próprios autarcas que supostamente ainda acreditam em fábulas de riqueza, emprego...e quem sabe, uns lugares nos Conselhos de Administração destas empresas.
Elegemo-los...e eles em troca deixam-nos uma costa cheia de betão...
Onde está o planeamento?
O autarca Beato não acredita que ganhou a sorte grande outra vez...já só faltam poucos quilômetros de costa para urbanizar!
Pedimos desculpa do tom...mas hoje estamos tristes...mais uma machadada na nossa região...
No Publico de hoje http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1318723

O Conselho de Ministros aprovou uma nova proposta de delimitação da Reserva Ecológica Nacional (REN) na Herdade da Comporta, que se estende por 12.500 hectares dos concelhos de Alcácer do Sal e Grândola. Neste imenso território, próximo da costa atlântica, o Grupo Espírito Santo pode, a partir de agora, construir o seu megaempreendimento turístico que vai ocupar uma área de 744 hectares nos dois municípios alentejanos.A sociedade Herdade da Comporta-Actividades Agro Silvícolas e Turísticas possui 624 hectares de praias e dunas, 8194 hectares de florestas e mato e 1698 hectares de sapal junto ao estuário do Sado. A proposta aprovada pelo Governo, em 24 de Janeiro, através do Despacho n.º 2173/2008, enquadra-se nos objectivos dos planos de pormenor das áreas de desenvolvimento turístico (ADT) 2 e 3, e corresponde às zonas definidas para o efeito nos planos directores municipais (PDM) de Alcácer do Sal e Grândola.O projecto para a ADT 2 abrange um território com 346,7 hectares, no concelho de Alcácer do Sal, e corresponde a três por cento da Herdade da Comporta. Neste espaço serão instaladas 3467 camas turísticas e 1470 camas residenciais em dois hotéis, dois aparthotéis, três aldeamentos turísticos e 250 moradias. Está ainda prevista a instalação de dois campos de golfe. O projecto para a ADT 3, que se localiza no concelho de Grândola, abrange uma área com 377 hectares para a qual está programada a instalação de 4478 camas turísticas e 1496 residenciais, em quatro hotéis e 11 aldeamentos turísticos. O projecto inclui também um campo de golfe de 18 buracos que se estende por 88,8 hectares.A construção deste conjunto de equipamentos turísticos e residenciais representam, segundo a organização ambientalista Quercus, "uma ameaça para 131 hectares de habitats prioritários" nas ADT 2 e 3, que estão referenciados na rede Natura 2000. Este sítio de importância comunitária Comporta/Galé abrange uma área de 32.051 hectares, dos quais 2582 hectares se situam no concelho de Alcácer do Sal e 5656 hectares no concelho de Grândola."Carência de emprego"O Governo contrapõe que o plano integra um estudo de incidências ambientais, a salvaguarda de zonas de habitats e a aplicação de medidas compensatórias. E frisa que o empreendimento da Herdade da Comporta cumpre as exigências impostas pelos PDM de Alcácer do Sal e Grândola e os "dispositivos previstos" no Plano Regional de Ordenamento do Território do Litoral Alentejano.O despacho governamental destaca ainda que o empreendimento se insere numa região de "debilitado desenvolvimento económico resultante do envelhecimento populacional, da desertificação do território e da carência de emprego", mas que também está em condições de oferecer serviços e equipamentos dirigidos a segmentos "do turismo de natureza e desportivo, do turismo residencial, do turismo de lazer, do turismo de negócios e do turismo de saúde".O volume de investimento que vai ser aplicado no projecto da Herdade da Comporta está estimado em 1130 milhões de euros, um montante que o Governo admite possa vir a ter "impactos muito significativos em termos de emprego, prevendo-se a criação de cerca de seis mil postos de trabalho directos, o que corresponderá a, aproximadamente, cerca de 45,5 por cento da população economicamente activa do total dos dois concelhos". Os dois municípios alentejanos, no seu conjunto, têm cerca de 30 mil habitantes.

15 comentários:

uss disse...

Satisfeitos Srs. So(xuxi)cialistas do Alentejo?
O poder do dinheiro é quem decide! Povo, qual povo?

um santiaguense imigrado disse...

UMA VERGONHA!!!!
E O POVÃO ACREDITA QUE O PAI NATAL EXISTE E VAI ATRÁS DISTO TUDO, NA PROMESSA DE EMPREGOS E RIQUEZA PARA TODOS. ASSIM VEMOS BEM OS AUTARCAS QUE NOS (DES)GOVERNAM E ARRASAM A REGIÃO E DAQUI A UM TEMPO VÃO-SE EMBORA PORQUE ELES NÃO SÃO DE CÁ E SÓ CÁ ESTÃO ENQUANTO DURA O TACHO QUE NÓS LHE DEMOS COM O VOTO.

Anónimo disse...

Tem sido aos poucos para não dar muito nas vistas mas eles vão levando a água ao seu moinho. Se fosse tudo feito de uma vez dava mais nas vistas, assim não. Com pezinhos de lã, ontem um bocado, hoje mais uma parte, e amanhã quem sabe se o resto da costa. Investem aqui milhões e o lucro vai ser aplicado noutros investimentos noutras zonas do país e/ou do estrangeiro e nós ficamos com umas dezenas de empregos precários até a coisa ir dando. Quando deixar de dar o que eles querem acontece o mesmo que em Troia há uns anos, cujos mamarrachos foram depois abandonados e demolidos e agora reconvertido o local.
Estes empresários limitam-se a aproveitar a parvónia em que se está transformada esta região e a sede de protagonismo dos nossos autarcas que adoram pavonear-se nos bastidores do novo riquismo empresarial que se está a instalar, com os seus sorrisos pepsodent, fragancias caras e gravatas de seda importadas. São os mesmos que adoram encher a boca com o discurso do povo coitadinho, que tem reformas de miséria e ordenados baixos, mas que não dispensam as roupas e os perfumes de marca, e as boas comesainas. Deixem vir 2009 e vão ver como eles mudam de visual e de discurso com os olhinhos no voto.

osantiaguense disse...

Eu acho que os projectos turisticos na costa alentejana já são de mais. Desenvolvimento e emprego sim mas não à custa da destruição massiça da natureza. Embora os municipios que se destacam pela negativa neste assunto serem socialistas não podem ser os socialistas os únicos a levarem com as culpas porque tanto a câmara de sines como a de santiago também andam a tentar acolher estes projectos nos seus concelhos, são caso disso o projecto turistico da planicie do cercal e o projecto turistico do porto côvo. Têm de ser postos limites para bem da qualidade de vida da população!!!!

Anónimo disse...

Quando não houver mais um metro para betonar têm a missão cumprida. Mas continuem a votar neles, porque se calhar alguns de vocês que andam aqui também ajudaram a metê-los lá

de cá disse...

Realmente...até parece coincidência:
Grândola : Beato...Beatão...Betão
Alcácer: Paredes...contruídas...de betão.
Se não fosse triste ate podia ter graça...

Anónimo disse...

Os governos apoiados pelos grandes interesses económicos ou os grandes interesses económicos apoiados pelos governos... o clube dos amigos do cifrão só, é poder, sim...
Mas que justiça? Que verdade? Que nobreza? Que beleza? Não é certamente a da vista da areia ao mar na nova praia...
Conta-se e conta-se... conta-se a água e a luz, o tempo... conta-se.
O contador conta... e o contador lê-se... e um cobrador virá.
‘Ao abrigo da chuva e do sol, à porta da casa, os contadores da água e da luz’... contam.
‘Nas contas da água e da luz, conta-se o tempo de alguma água, alguma luz’... mas
‘Quem, no final de contas, virá ler o último contador, na imensa areia’...?
Quem fica para contar? O que fica por contar? Que amor? Que conto?

O clube dos amigos do cifrão só é quem manda, sim... e uma conta fica sempre por pagar.
Que a luta pelos belos ideais não nos desista.
Não queremos a conta pesada do fim.

(Uma nova praia...?)

USS disse...

Alguém anónimo disse por aí:
Votaram neles? Aquentem-se!
Esta gente cor de rosa e alaranjada não olha a meios. P "povão" que aprenda!
Vão ter muitos empregos...precários!

de ca disse...

Pois...votamos...e eles não mereceram os nossos votos.
Temos o direito de nos sentir engandos...e não so a nível das câmaras como do governo...já não ha vergonha.
E os culpados somos nós, qua aceitamos tudo,não contestamos...mas sem ser ligados a partidos...acho que as "manifestação de oposição" não tem ver com os nossos desejos reais mas com as agendas aprtidarias e isso não está certo...
Alguém sabe quais os requesitos para se fazerem listas independentes?

Marina disse...

Sim, tb concordo que o melhor era mesmo independentes em Santiago, porque a politica estraga muita coisa

Crescer disse...

Quem terá dito isto?

"As áreas das ADT2 e ADT3 (áreas de desenvolvimento turístico) da Comporta não deveriam ser incluídas no Sítio Comporta-Galé e,
logo, deveriam ser excluídas do regime de aplicação da Rede Natura 2000 e do respectivo Plano Sectorial. Nas situações em que não se sobrepõem a ocorrências de flora e fauna classificada, ou seja a grande parte das áreas referenciadas para
o sector central e nascente da Herdade, as questões metodológicas expostas por esta Associação relativamente aos habitats deveriam
ter implicado, só por si, a não inclusão no contexto da Rede Natura 2000 de parte significativa da Comporta. Deste modo, é proposta a
sua exclusão do Sítio Comporta-Galé.
Propõe-se que sejam retiradas do Sítio Comporta-Galé as Áreas Urbanas, as Áreas Urbanas Proqramadas e as Áreas de
Desenvolvimento Turístico já perfeitamente definidas e delimitadas nos respectivos Planos Regionais (PROTALI), Planos Directores Municipais (PDM) de Alcácer do Sal e Grândola, e no âmbito dos quais se encontram em elaboração diversos Planos de Pormenor que estão a ter o legal e necessário acompanhamento, assim como as Áreas dos Planos de Urbanização entretanto ratificados e publicados em Diário da República.
Deverão manter-se na alçada da Rede Natura 2000 apenas as áreas que na realidade apresentam um conjunto de espécies e habitats dignos de relevo e adequada conservação.
É reforçado que as `áreas classificadas´que se propõe que sejam excluídas, são na sua grande parte, áreas de produção intensiva, quer florestais quer agrícolas, onde a imposição das `orientações de gestão´, conforme apresentadas no Plano Sectorial, torna de todo
impossível a actividades dos agricultores e da Herdade da Comporta."

in Anexo 1 do Plano Sectorial da Rede Natura 2000 - Relatório de Ponderação da Discussão Pública

USS disse...

Independentes?
Alguém é independente neste país?
Acreditam no pai Natal ainda? Cresçam...
Não é por esse lado que lá vanmos.
é pela intervenção a sério dos cidadãos..

Anónimo disse...

Fiquei satisfeito pela suspensão do projecto Costa Terra, mas infelizmente o sr. Beato vai continuar a insistir porque diz que é uma decisão contra os interesses de grandola e do país. Para mim, o que é contra os interesses de grandola e do país é o sr. Beato ser presidente de grandola e estar a vender o concelho a retalho aos especuladores turisticos que vão tirar lucros altos no concelho para aplicar noutros investimentos fora do concelho.

NV disse...

Sr. USS
Lembro-lhe que "Independente" quer dizer: quem goza de liberdade e de autonomia.
Ao achar que a independência não existe, primeiro, se tal fosse verdade,o sr. não estaria aqui a fazer comentários, segundo, deve ter o rabo preso,pois, deve estar sujeito a algum tipo de autoritarismo, que não o deixa gozar de alguma liberdade e autonomia.

rui disse...

dos cinco kilómetros de costa, há um, aquele mais próximo do mar e onde ocorre a maioria dos habitats prioritários, que não pode ser ocupado. na faixa restante, poderão construir-se seis ou sete núcleos de desenvolvimento urbano. É isto que é comparável ao Algarve? Quem diz isto foi alguma vez ao Algarve?