1.09.2008

Turismo: Marca "Alentejo" em via de risco

Mais um assunto para reflexão...


As regiões de turismo e os empresários alentejanos estão preocupados com o futuro da marca "Alentejo" e receiam que a promoção externa da região se perca com a nova organização turística territorial aprovada pelo Governo.
"É perfeitamente justificada a preocupação em saber se a marca turística 'Alentejo' está ou não em causa. Esperemos que o futuro venha a mostrar que não", escreve o presidente da Região de Turismo da Planície Dourada (Beja), Vítor Silva, no boletim informativo.Também Francisco Zambujinho, empresário na zona de Monsaraz (Évora) e presidente da agência Turismo do Alentejo, manifestou hoje à agência Lusa o receio de que o novo mapa de órgãos regionais de turismo "crie um vazio na promoção externa da região".O Governo aprovou, em Dezembro último, a redução de 19 para cinco regiões de turismo nacionais, coincidentes com as regiões administrativas: Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve.A par das cinco regiões, foi ainda decidido criar cinco pólos de desenvolvimento turístico autónomos (Alqueva, Litoral Alentejano, Região Oeste, Douro e Serra da Estrela), para promover marcas que se prevê virem a ter uma determinada dimensão dentro de algum tempo.O Alentejo, que tem estado organizado em quatro regiões de turismo (Planície Dourada, Évora, Portalegre e Costa Azul), vai passar assim a estar dividido em três áreas regionais de turismo (ARTs): Alqueva, Litoral Alentejano e resto da região.Contudo, as anteriores estruturas articulavam-se através da Associação Regional de Turismo do Alentejo (ARTA), que deu origem à marca "Alentejo", debaixo da qual se promovia o território no seu conjunto, e à agência Turismo do Alentejo, responsável pela promoção externa da região.Segundo Vítor Silva, o novo quadro legislativo, "se não proíbe, também não incentiva a associação das três novas ARTs debaixo da marca Alentejo", o que "é evidentemente um recuo em relação ao trabalho que já estava feito".Francisco Zambujinho também destacou que a nova legislação "não refere nada em relação à agência Turismo do Alentejo", o que causa "preocupações"."Não estamos a atacar ou a defender a extinção das regiões de turismo. Receamos é que a promoção externa seja prejudicada, ao abandonar-se esta visão de conjunto e a marca "Alentejo", que servia de guarda-chuva para a cultura, interior, sol e mar da região", esclareceu.Para o empresário e responsável da agência, isolar o Alqueva e o Litoral Alentejano, para onde estão previstos grandes projectos turísticos, do restante Alentejo "não tem pés, nem cabeça"."Se a marca Portugal já é pouco conhecida no mundo, o Alentejo é menos e o Alqueva e o Litoral Alentejano ainda são menos. Mesmo assim, o nome Alentejo tem-se mostrado nos mercados externos e não podemos deitar a perder esse trabalho", disse.Numa reunião em Dezembro, os empresários e as regiões de turismo consideraram "imprescindível" assegurar a continuidade da promoção, divulgação e captação de negócio turístico sob a marca "Alentejo", garantindo ainda a manutenção de acções programadas para o arranque deste ano.Além disso, a Turismo do Alentejo solicitou uma audiência ao Turismo de Portugal, instituto público que incentivou a criação da agência, para clarificar qual o futuro da estrutura.

11 comentários:

de cá disse...

E ainda havia quem queria mudar o nome ao Alentejo Litoral...estas cabecinhas!

santiaguense de gema disse...

A visão dos empresários por vezes é oposta à visão dos autarcas e das populações. De qualquer forma, enquando habitante do alentejo litoral sou contra a inclusão desta região na Costa Azul. Na minha opinião faria mais sentido estarmos mais ligados à região Alentejo. A nossa oferta é distinta da oferta do restante Alentejo, mas as nossas raízes e identidade estão mais alicerçadas na região transtagna do que na região de Setúbal. Há quem defenda que o Alentejo Litoral deve assumir-se com uma região de turismo individualizada, autónoma de outras, mas não sei até que ponto isso traria mais vantagens ou desvantagens. É um assunto que requer muita ponderação, reflexão, e que também, infelizmente, não tem tido grande discussão pública entre os nossos autarcas e agentes económicos, turísticos, populações, etc. Para além disso, parece-me que aqui entre nós tem que haver um esforço muito maior na promoção da região, precedido de políticas potenciadoras dos nossos recursos que em alguns casos estão algo maltratados, como é o caso do património cultural. Hoje em dia, o turismo cultural é um segmento cada vez com maior peso e por isso há que apostar muito forte na valorização de monumentos e património arqueológico, e na criação de rotas para patrimónios distintos ligados às antigas actividades hoje extintas de que ainda subsistem estruturas e espólios. Há um trabalho de fundo a fazer sobre isso nesta região. Uma rota para fortalezas e antigas estruturas de defesa não pode passar ao lado da valorização do forte da Ilha do Pessegueiro nem do Castelo de Santiago do Cacém, que urge desafectar da actual utilização de cemitério.
E evidentemente regenerar os centros históricos, sem eles é impossível apostar num segmento como o turismo cultural.
A sinalização de monumentos é também muito deficitária e em alguns casos obsoleta, e carece de um projecto mais actualizado.

Lopes disse...

É necessário uma afirmação mais interventiva do Alentejo...nós somos Alentejo..desde sempre...não somos costa azul...não somo estremadura...não somos litoral...não somos setubalenses.
Quase nenhuma afinidade temos com Sesimbra ou Setubal...nem com Alcochete ou Moita.
Somo do Alentejo....que temm uma zona litoral..mas acima de tudo Alentejanos com muitos gosto e honra!

USS disse...

Porque haveria de estar em risco a Região Alentejo?
Embora entenda como alguns que nos deveríamos integrar na região alentejo, não entendo como outros que a costa azul ou outras cidades e vilas não têm nada a ver conosco.
Somos um país tão pequenino que comoço a pensar que só temos o país que merecemos. Gostamos de dizer mal das nossas coisas, das coisas dos vizinhos. Será que temos identidade?
Os portugueses em geral, quando no estrangeiro suspiram pelo país e pela sua lingua.
Cá dentro voltamos as costas uns aos outros. Que raio de gente é esta?

Vicente Sobral disse...

O Alentejo Litoral por enquanto ainda tem uma identidade vincada mas infelizmente já sofre de um mal chamado descaracterização que tem adquirido maior expressão com os sucessivos projectos turísticos que têm sido aprovados pelas autarquias, que preferem o cinzento do cimento ao verde dos campos. Tudo podia ser compatibilizado com critérios que defendessem uma solução equilibrada entre desenvolvimento e preservação dos traços da nossa identidade regional, porque é essa identidade que podia ser a grande força motriz para o futuro se as coisas não fossem por este (des)caminho. Pessoalmente não acredito que a marca "Alentejo" esteja em perigo, ao contrário da identidade alentejana do Alentejo Litoral essa sim já viveu melhores dias e não se perspectiva nada de bom no futuro.

Crescer disse...

Antes, quando se queria intervir e juntar os vários agentes ligados ao sector turístico a fim de conceber uma estratégia de promoção conjunta, nada faziam e tentavam ao máximo bloquear as decisões e as iniciativas.

Agora que nos preparamos para nos tornar no Allgarve é que a ARTA e a Costa Azul nos querem "ajudar". Tarde de mais meus amigos!

santiaguense de gema disse...

Estou convencido que daqui para a frente quem vai mandar no nosso turismo ao nível do litoral alentejano são os grandes empreendimentos que se estão a construir na região e eles é que vão decidir o que se deve promover que naturalmente serão os seus interesses acima de tudo e de todos. Tem sido assim no Algarve com o loby da associação de hoteleiros e aqui vai-se dar o mesmo. Portanto o resto da oferta da região vai ficar sempre em segundo plano em relação aos empreendimentos turisticos caso as câmaras continuem de costas voltadas umas para as outras, e os socialistas às turras com os comunistas e vice-versa.

grandolense disse...

Tenho bastante pena que Grândola, Santiago, Odemira, Alcacer e Sines não trabalhem mais em conjunto entre as suas câmaras por causa da politica e dos partidos serem diferentes porque quem perde somos nós todos. Eu aqui já gostei mais do sr Carlos Beato do que actualmente e penso que isto deu logo um grande impacto quando mudou da CDU mas agora já começo a achar que já não vai passar disto.
No turismo da região acho que devia haver uma marca só para o Litoral alentejano para separar do restante alentejo porque a zona tem caracteristicas diferentes.

Anónimo disse...

A gestão CDU na Câmara Municipal de Santiago do Cacém
O Concelho prepara-se para viver do Turismo e rebusca receitas nos conventos e baús das bisavós das ruas do Algarve e até mais acima, lá para os lados da vivenda das “eras” em busca de uma culinária ou receitas que faça parar os estrangeiros.
Terá sido este o último sonho do Srº Proença?
Não há freguesia que não esteja já a preparar a dita Feirinha, muito parecida ou copiada com Grândola para mostrar gastronomia original, saborosa, e outros, tudo com cheiro a campanha eleitoral, sim, porque nisto a CDU não se fica atrás! Os turistas nacionais estão rendidos ao Litoral Alentejano e o Srº Proença começa a ver nisto mais uma mina para se aguentar mais 4 anos, sempre vinha a calhar. Acontece que isto não é Grândola nem Alcácer do Sal. Proença bem cirandou de freguesia em freguesia para apresentar mais umas promessas que reduziu a “Orçamento”. Até a própria CDU, se calhar, já desconfia de tanta obra, uma vez que só lhe faltam uma quantas auto-estradas e mais uns prémios de melhor autarca.

santiaguense de gema disse...

Feirinhas nas freguesias ?
Mas que estória é essa que eu não ouvi falar ?
O turismo que temos de dar mais valor é o turismo a partir das coisas genuínas que cá temos mas que antes é preciso valorizar e promover, porque o turismo de sol e praia já está bem divulgado. A melhor marca que podemos ter é divulgar e tratar melhor as coisas boas que temos para oferecer. As marcas só por si não vendem. Mais do que uma qualquer estratégia de marketing é preciso antes preservar, valorizar e depois sim promover cada segmento das nossas ofertas no âmbito do turismo de natureza ou turismo activo, turismo de sol e praia, turismo cultural, e turismo da identidade local (produtos locais, artesanato, tradições, etc).
É preciso é implementar uma estratégia de valorização desses elementos e depois aproveitá-los e colocá-los ao dispor do turismo.

Anónimo disse...

Feirinhas? parece que estão na moda. À antiga portuguesa. Valoriza-se o povo e a cultura, como convém. As coisas fazem-se certo com os motivos errados. Nada mudou meus senhores.