12.18.2007

Um exemplo...

Várias mãos amigas enviaram-nos esta notícia...porque será que não se consegue fazer algo semelhante na nossa região?

Norte Alentejano terá guia de património rural transfronteiriço

Um guia com duas dezenas de elementos do património arquitectónico rural de cada um dos 15 concelhos de Portalegre deverá ser editado no início do próximo ano, graças a um projecto transfronteiriço com a Extremadura espanhola.A edição, a cargo da Associação de Municípios do Norte Alentejano, insere-se no projecto Património Rural Transfronteiriço Extremadura - Alentejo (PARTEXAL), iniciado em 2006.A AMNA e a Universidade de Évora são os parceiros portugueses do projecto, co-financiado pela União Europeia, enquanto que, do lado espanhol, estão envolvidos os serviços de desenvolvimento Rural da Junta da Extremadura, entre outras entidades.A primeira fase, que termina no final deste ano, teve como finalidade efectuar o levantamento do património arquitectónico transfronteiriço existente nas zonas rurais dos 15 concelhos do distrito de Portalegre e de oito agrupamentos municipais espanhóis, com um total de 90 municípios.Pontes, moinhos, fontes, celeiros, adegas, manufacturas, bebedouros, tabernas, fornos, pombais, chaminés, estábulos ou palheiros foram alguns dos elementos patrimoniais alvo de levantamento.O seminário de encerramento desta primeira fase do projecto decorreu hoje em Portalegre, tendo sido revelado que a AMNA, no início de 2008, pretende lançar um guia que será composto por 20 elementos arquitectónicos de cada um dos municípios de Portalegre, para dar a conhecer esse património.Em declarações à agência Lusa, Eduardo Figueira, da Universidade de Évora, revelou que a segunda fase do projecto prevê a «reabilitação de alguns dos espaços» inventariados.Além disso, acrescentou, todo esse património será ainda incluído num inventário que «poderá ser consultado no sistema de informação geográfica da AMNA».«Através desta medida, queremos sensibilizar as pessoas para a preservação do património arquitectónico e dar-lhes a conhecer certos e determinados espaços, tanto no Alentejo, como na vizinha Espanha», disse.A inexistência ou o desconhecimento de inventários sobre o património arquitectónico transfronteiriço, mantendo estes recursos no anonimato e dificultando a planificação e coordenação de iniciativas locais para os proteger ou reabilitar, foram os factores que motivaram as várias entidades a desenvolver o PARTEXAL.Inicialmente, destacou Eduardo Figueira, o projecto tinha previsto em orçamento uma verba que rondava um milhão de euros, mas, «sucessivos cortes», dificultaram a elaboração e concretização de algumas acções.A iniciativa foi financiada, até agora, pelo programa comunitário transfronteiriço INTERREG III A, aguardando agora as entidades promotoras pelo novo período de fundos europeus para poderem desenvolver a segunda fase e arrancar com a reabilitação no terreno.«Vamos aguardar. Gostaríamos de reabilitar vários espaços, mas depende da generosidade do próximo orçamento», declarou Eduardo Figueira.
Fonte: Diário Digital / Lusa

13 comentários:

Anónimo disse...

No estado em que está a AMLA acho que é impossível algum dia se fazer algo semelhante, mas lá que era interessante, era. Para todo o litoral alentejano numa iniciativa partilhada com as associações locais, até com universidades porque não, se houvesse vontade dos nossos politicos penso que seria importante. Como se costuma dizer para recuperar é preciso antes conhecer, e penso que na região não existe um conhecimento profundo do que realmente temos de património para um dia poder ser valorizado e colocado ao dispor das populações, do turismo, mantendo esses elementos do nosso passado que no fundo testemunham o que tem sido o caminhar desta região ao longo do tempo.
É uma pena que as nossas autarquias não sejam mais sensiveis e tudo isto e aos poucos estejam a deixar desaparecer tantas coisas interessantes.

Martins disse...

Esse é outro problema grave (mais um) que existe na região e que parece não preocupar muitas pessoas, que regra geral andam mais ocupadas com a política e com o controle do poder que isso retira-lhes clarividência sobre muitos assuntos. Também por este tema, que passa completamente ao lado da política cultural dos municípios do Alentejo Litoral, conseguimos ver até que ponto os interesses da região têm sido sucessivamente descurados em matéria de identidade e marcas do passado. É mais fácil gastar milhares de contos com artistas da cassete pirata do que nestas matérias. Se me permitem, seria necessário um projecto como este do Norte Alentejano na nossa região, que tem muitas diferenças entre a costa e o interior (e por isso é também uma região mais rica)complementado com o registo do património oral dos saberes, das estórias de vida, dos trabalhos marítimos e do campo do antigamente, das tradições, e dos usos e costumes que já cairam em desuso mas que ainda estão vivos na memória de muitas pessoas. Um trabalho que podia ser feito em parceria com as autarquias, as instituições que acolhem idosos, as associações, etc.

Francisco Lobo de Vasconcellos disse...

Concordo que se deva fazer um roteiro/guia do que de bom temos nesta nossa região...mas esse trabalho teria de ser antecedido por um levantamento rigoroso, sério e exaustivo de arquitectura, paisagens, património, tradições, saberes, artes e ofícios, produtos regionais e naturais, etc etc.
Sem um trabalho de pesquisa e sem se conhecer a fundo a região, será muito dificil caracterizá-la e qualificá-la.

Vicente disse...

Absolutamente. Não concelho a concelho, mas na região Litoral Alentejano, vista como um todo. Quem sabe se não podia até incluir comparticipações das empresas com os empreendimentos turísticos em curso, negociadas com os municípios antes da permissão/luz verde para os projectos fazendo com que estas pudessem co-financiar uma iniciativa destas e outras que tenham como objectivo conhecer, salvaguardar e vaorizar o nosso património. Penso que estas empresas que querem construir empreendimentos deviam ter a obrigação de ajudar a região a manter a sua identidade e elas mesmo darem um sinal de que também se pretendem inserir a contribuir para isso. Naturalmente que isso teria que partir dos municípios da região, na fase do licenciamento das obras. De qualquer maneira se nada se fizer nos próximos tempos, não demorará que esta região perca a sua identidade tal é o processo de descaracterização que está em curso.

Maria disse...

Não há vontade política para uma coisa destas aqui. Nem pensar nesta região, com estes morcões que temos nas câmaras.
É lamentável que aqueles que têm a obrigação de defender a região, não tenham o mínimo de senso para olhar para estes assuntos de uma vez por todas; é que nem sequer são capazes de copiar os bons exemplos de outras zonas do país.

Crescer disse...

Muito desse trabalho esta realizado... Como se diz, agora só falta por no papel. Perguntem a quem de direito, o porquê do projecto não andar para a frente?

Acrescento só duas notas:

1) Não acredito que esse programa tenha sido um "mar de rosas".

2) Espero com o pólo de desenvolvimento turístico do Litoral Alentejano, a nossa promoção turística melhore e muito. Mas, no entanto, custa-me ver a nossa sub-região espartilhada em dois.

Silva disse...

era preciso criar uma equipa competente para um trabalho desta envergadura, e dotá-la dos meios necessários. se todas as câmaras dessem um bocadinho, com mais algumas verbas comunitárias não acho que fosse dificil fazer um levantamento do que existe de mais valor. mas reparem que estes tipos no norte alentejano a seguir vão começar a recuperar, pelo que aqui também é preciso seguir nessa linha. até o turismo podia tirar partido de um projecto destes

Santos Martins disse...

A minha opinião é que acho que temos cá pessoal bastante qualificado para tal, só que seria necessário darem todos as mãos para isso ir para a frente. Seria bastante engraçado e digo até que nasci cá, vivo cá, e nem conheço a região totalmente em termos de história, monumentos, etc. Fazia falta uma colecção de guias com tudo isso mesmo para nós habitantes, mas lógico também para as escolas, turistas e por ai fora.

Anónimo disse...

Em Santiago, Grandola e Sines é mais fácil haver dinheiro para meter o Quim Barreiros ou o Tony Carreira em cima de um palco do que para gastar em património.

comunista desiludido disse...

O Sr. Presidente Proença, que recentemete recebeu o prémio "Mais Autarca", deveria, como bem referiu no seu discurso de atribuição do tal, vencer dificuldades e encontrar soluções para os problemas, deveria fazê-lo de forma abrangente e não andar a toda a hora, a dizer mal e a espicaçar as pessoas, pois que já lhe reconhecemos a ronha!!! Devia ser mais educado, mais aberto, menos hipócrita, porque há quem o conheça de gingeira. Os prémios são para quem tem uma actuação e condutas correctas, sem cantigas de escárnio e mal dizer. Cumpra com as suas obrigações e devia aprender uma lição - não se deve dizer mal de ninguém. Até porque, o sr. Presidente tem pés de barro! pois, essa é que é. Não se esqueçam que ele também faz nomeações e nem sempre são as mais acertadas. Calma com o andor, pois o santo pode cair.

Tozé disse...

Isto do turismo no alentejo litoral faziam falta muitas coisas para tudo isto ser melhor aproveitado. Para já temos pouca coisa sobre a história das terras, a história dos monumentos, a história das pessoas, a história dos vários locais para dar tudo isso a conhecer aos turistas.
Depois acho que fazia falta os postos de turismo terem aqueles aparelhos que se emprestam aos turistas tipo guias audio, onde se explica a história dos locais, dos monumentos, etc, em várias linguas. Acho que há várias coisas que se podiam fazer para dar outras condições ao nosso turismo e tratar melhor os turistas. Acho que ainda há muito para fazer nesta região, e exemplos bons de fora bem que podiam ser copiados.

Anónimo disse...

Fico estupefacta com a falta de qualidade e de nivel de pessoas que editam alguns comentários.Julgo que o espirito inicial do blog era o de discutir temas e ser muito abrangente.Caíu,infelizmente, no amontoado de porcaria que está à vista.Nada se discute.Não se discute o país.Não se discute o emprego, ou a falta dele.Nem tão pouco o rendimento das familias,ou a saude.Não.A temática é o insulto gratuito. Por mim confesso.Tenho mias em que gastar o meu preciosoo tempo...

uma santiaguense disse...

É pena que a caríssma anónima não tenha encontrado nenhum tema de interesse no blog...
A meu ver a esmagadora maioria dos temas e comentários reflectem uma boa parte dos problemas com que está confrontado o Alentejo Litoral e a forte descrença que existe em relação ao poder político da região. Por mim vou continuar a vir aqui, porque acho o blog interessante e os temas muito actuais. Se a maioria dos posts são críticos, sarcásticos, etc, é porque os autores estão insatisfeitos com o andamento (leia-se ritmo) da região.