11.19.2007

O Nemátodo e o Alentejo Litoral

Como é do conhecimento de quase todos, Portugal foi atacado por uma praga: o Nemátodo, um insecto que ataca principalmente os pinheiro bravos.
Esta praga leva à morte das árvores em pouco tempo, sendo altamente contagiosa e sem cura.
O principal foco de incidência deu-se a sul da foz do Sado.
A estratégia adoptada pelo Governo foi de estabelecer uma zona tampão, que incluí quase todos os concelhos do Alentejo Litoral e estende-se até ao Ribatejo, cortando todas as árvores numa faixa (cordão sanitário) ao longo da "fronteira", de modo a evitar a propagação, e eliminando as árvores doentes dentro da zona afectada.
Aqui se pode ver mais informação: http://www.logistica-florestal.pt/files/281.pdf ou em http://www.confagri.pt/Floresta/Documentos/doc17.htm
Como se tem visto, a praga não tem diminuído dentro desta zona, antes tem aumentado, com um número crescente e preocupante de árvores mortas ou infectadas.
É assustador o evoluir desta situação e muito inquietante os resultados serem muito incertos.
Outro aspecto a ter em nota é o facto de os responsáveis politicos, autarcas nomeadamente, se terem remetido ao silêncio, e nunca terem emitido opinião ou pelo menos exigido das autoridades responsáveis por este combate, respostas, resultados, explicações...
É um problema que irá afectar irremediavelmente a nossa paisagem e com graves consequências a nivel económico, agrícola e florestal....
Não é uma imagem agradável ver os pinhais de Alcácer do Sal, ou entre Sines e Santo André, por exemplo, secos e com as árvores castanhas....ou sem árvores!

9 comentários:

Anónimo disse...

O Nemátodo, símbolo perfeito do problema que assola o Alentejo Litoral.
Ambição, gula. Um futuro incerto, inquientante. Talvez sem árvores, sem paisagem, devorado pouco a pouco. Um futuro doente. A morte.

Pergunto eu porque se remeteram ao silêncio, esses autarcas?
Porque não emitiram opinião nem exigiram respostas, explicações..?
Porque deixam avançar o nemátodo?
Porque tem avançado o nemátodo?

Precisamos de uma nova praia.
Descoberta por quem vem, se por bem vier, e pelo talento. Plantada com raízes de pinhal à beira-mar do que pode só ser sugerido e avistado. Um ressoar de vagas nas reais areias da ficção, editado por profissionais e outras pessoas sérias que, de pessimistas, não resistem a ser optimistas e vão mantendo os pés fincados na terra possível do pensamento. Esculpida como um afago da portuguesa língua de Camões no dorso de um mundo quase impossível de palavras e belezas a re-encontrar.

Resta-nos um presente, e um futuro.
Ah: e as memórias.

Que tal um baixo-assinado com milhares e milhares de assinaturas?
Que tal alguma pressão por parte de quem não gosta do Nemátodo?
Ou qualquer coisa no género?

Nemátodo que parece também andar pelos centros históricos e outras paisagens...
Nemátodo que espreita na floresta escura...
Nemátodo nas paisagens da nossa memória

Anónimo disse...

Quem cala consente.
Mas deixo já os meu parabéns a você, na véspera... não quero constranger mais o seu orgulho.
Orgulho, outro pecado mortal, sabia?, que mata?

Anónimo disse...

O nemátodo será outra versão dos incêndios? Qualquer dia em vez de nemátodo temos construção

Anónimo disse...

Ora porque é que não se queixam e não fazem nada. Porque nunca fazem nada, estão-se borrifando. Porque fica tudo a meio, não há disciplina neste país, fica tudo em águas de bacalhau à mínima dificuldade e anda tudo a passo de caracol enquanto os outros nos passam rapidamente à frente. E com tanta coisa boa que nós temos. Nao se dá valor a nada é uma falta de cuidado com as coisas que só visto. Não se dá continuidade às coisas, é só quando se atinge o limite e está tudo pelas ruas da amargura é que se faz qualquer coisa neste país. Espírito à portuguesa. É o mesmo com os acidentes na estradas, só quando a Europa nos disser que as estatísticas de mortalidade nas estradas são inaceitáveis e que morrem mais portugueses por ano nas estradas do que se morre em muitas guerras, só quando for um vexame daqueles grandes como já passamos muitos, é que eles vão fazer qualquer coisa. E depois andamos a lamber as botas aos países ditos desenvolvidos da Europa. Sempre atrás, pois com certeza. Não fazem nada, porque ainda temos alguns pinheiritos, quando estiver tudo castanho é que lhes vai dar a urgência. Dá muito trabalho. Deixa-se para amanhã. Não dá dinheiro. Bom e pode ser até que entretanto dê jeito a algumas pessoas

de cá disse...

Está bem visto...se não houver árvores porque pelos vistos não se aguentam mais vale substituir por betão...esse não há bicho que om mate.
Temos liberdade para pensar que este bichinho interessa a muita gente: Autarcas, madeireiros e ás empresas contratadas para erradicar o dito bicho e que apenas consegiram ampliar a sua actuação...estranho não é???!

Anónimo disse...

Ninguém pensa em mais nada a não ser no dinheiro e na fama. Os pinheiros e qualquer paisagem natural são um bem do nosso país a preservar. Temos bons técnicos e recursos técnicos, há gente capaz de resolver os assuntos, equipas até boas, mas a mandar é só quem chega lá acima... As motivações desses são chegar lá cima e depois ficarem por lá e pronto. Anda tudo ao mesmo. Querem lá saber. E depois desculpam-se com as burocracias

Espiga Alentejana disse...

Há outras especies de nemátodo igualmente perigosas por aí disfarçadas que arrebentam com tudo sem ser com o montado...
Conhecem a canção...eles comem tudo, eles comem tudo...

Anónimo disse...

Não sei se mandaram pôr nemátodo como quem manda pôr fogo, mas a inércia e o deixar andar pode dar muito jeito... uma bela oportunidade, pelo menos é. E em terra de cego quem tem olho é rei. Foi sempre assim e assim será.

Anónimo disse...

A mim também me palpita que há interesses em não fazer nada e deixar morrer aos poucos o verde da nossa linda paisagem. É é falta de orgulho, falta de cuidado com as coisas. Falta de vergonha na cara. Com tanto egoísmo e má fé e coisas na manga não admira que o bicho ande por aí a espreitar. Mas quem paga mais somos nós. E os nossos filhos, que qualquer dia não temos pinheiros nem outras coisas bonitas para lhes mostrar.