10.08.2007

O nome Litoral Alentejano

Parece que a ultima moda é não se gostar dos nomes, a pretexto de um qualquer obscuro motivo comercial e promocional....
Começou com o ALLGARVE e agora viraram-se para o Alentejo Litoral.
Surgiu a ideia peregrina que se deve encontrar um nome mais apelativo para o Litoral Alentejano...
O que não deixa de ser curioso é que quem sugere isto, a "Associação de resorts do Litoral Alentejano", que não conseguiu encontrar uma palavra portuguesa para "resorts" (é pena...) e que são pessoas que não nasceram aqui, no Alentejo, no Litoral...neste conjunto unico de paisagens, saberes e pessoas.
Que não sentem esta zona como locais, como pessoas que aqui nasceram, viveram e aqui esperam acabar a vida...ou como quem vem para cá viver....pela específicidade do Alentejo Litoral.
E logo as reacções não se deixaram de ouvir...com os habituais a favor e os habituais contra...
Pena é que alguns responsáveis vão atrás deste fogo de artifício e que apenas pensem na aparência, na propaganda, nos sound bytes e que mais uma vez vão atrás de coisas irrelevantes para a região.
Não consta que os espanhóis alguma vez tenham mudado o nome a uma das suas regiões, ou que as regiões daCroácia e Turquia, agora na moda e com nomes quase impronunciáveis, ou zonas do Brasil, com os originais nomes índios, sejam alteradas em função de uma qualquer conveniência comercial.
O que eles tem para oferecer é a sua identidade, a sua essência, a sua originalidade e é isso que torna essas e outras zonas destinos turísticos por excelência....tal como o Alentejo Litoral.
Os milhares de pessoas que nos visitam é por isso, não é pela fonética ou por gostarem muito do nome!
E para terminar....depois do triste espectáculo que foi a novela da "marca Alentejo Litoral" protagonizada pela ADL e Caixa Agrícola, com outras entidades no enredo...não nos parece que seja uma boa ideia!

16 comentários:

FN disse...

Só espero é que as populações não se agachem a estes senhores que em tudo querem mandar e tudo mudar, desde que os cifrões ganhem mais um digito. Ou então que se faça um referendo regional para sentir a vontade das populações que essa sim deve ser tida em conta e não o interesse destes grupos económicos que vieram para alterar a nossa vida e a nossa paisagem.

de cá disse...

Realmente....é porque não tem mais nada que fazer....pena é porque existe muito por fazer, mas eles não reparam....

Vicente disse...

Estes tipos querem fazer de nós otários, e devem pensar que por sermos alentejanos que somos atrasados mentais. Temos mas é que nos impor o que não deve ser fácil porque têm as câmaras na palma da mão

um santiaguense disse...

Deve ser brincadeira, porque um nome só por si não vende um produto nem promove uma região se o que estiver em causa não tiver qualidade nem capacidade de atracção. O que estes "amigos" deviam fazer era ajudar a encontrar soluções para os problemas da região, que não são assim tão poucos, em vez de virem para cá destruir o que temos de bom.

Chico Cabreiro disse...

Depois do episódio caricato e anedótico entre a ADL e a Caixa Agricola, faltavam agora estes artistas para quererem mudar o nome da região. Pelos vistos não acham mais nada de importante para se entreterem. Curiosamente, ou talvez não, ainda não vimos nenhuma reacção pública dos nossos autarcas a esta intenção. Se calhar também estão de acordo em mudar o nome. Quem cala...

Anónimo disse...

é claro que estes empresários só estão a pensar neles. Ou seja em formas de ganharem mais dinheiro, querem lá saber das condições de vida das populações. sacar o que puderem é a máxima deles. se for preciso mudar o nome da região, muda-se. verdadeiramente são eles é que mandam nisto porque as câmaras estão submisssas ao poder do dinheiro

Alentejano do Litoral disse...

A única reacção que se ouviu foi do Bloco de Esquerda, que é a única voz que ainda se vai ouvindo em termos de oposição contra a decadência em que toda esta zona está a entrar. Mostra o que são os outros partidos na região que não se percebe bem qual é o papel deles fora de funções executivas.

Anónimo disse...

A força do pilim dá para tudo. É só nisso que pensam estes gajos.

Chaparro 37 disse...

Não demora muito tempo que não apareçam com um nome inglês para esta região, como fizeram com o Allgarve. Destas cabecinhas pensadoras tudo é possível

Anónimo disse...

Posso avançar já com um nome novo:

Alentejo Litoral Maltratado

Anónimo disse...

O nome de uma coisa reflecte a sua essência. Há quem diga que uns nomes são mais importantes do que outros e há uma tradição que reforça essa hierarquia. A tradição pode constituir-se como um obstáculo à mudança e ao desenvolvimento se não for encarada como desafio. Mudar ou usar um nome por motivos promocionais e comerciais parece-me tão bom ou tão mau como um sistema que não permita a mudança e o desenvolvimento. ‘Litoral Alentejano’ ou ‘Alentejo Litoral’? Nome ou adjectivo? Mudar a ordem...?

O argumento do ‘é natural e fica bem’ do Restaurador Olex é falso.
Na minha opinião, não será porque não nasceu aqui que esse grupo de pessoas não pode sugerir a mudança do nome desta terra: é porque a lógica do dinheiro, como valor supremo e absoluto, não devia nunca poder emitir palpites sobre os nomes das coisas e suas paisagens. Muito menos no Alentejo, que é do mais bonito e preservado que nós temos, e, para além disso, já tem nome. Que sabe o dinheiro da semântica da paisagem alentejana? Realmente, que mostra saber ou querer saber da portuguesa psicolinguística da sua praia de mar azul e salgado, se nem tradução arranja para os seus turísticos ‘resorts’? Apenas que um nome mais sonante de ‘bytes’ anglófonos e uma imagem cheia de ‘make-up’ vendem melhor. Um conhecimento pouco específico, muito básico - o conhecimento animalesco do lacaio ‘marketing’ aliado à voracidade insaciável do poder.
Que legitimidade tem esse grupo para se pronunciar sobre a litoral nomenclatura do Alentejo? Que moral tem para mudar a ordem relativa dos nomes e seus qualificativos? Que direitos tem de destruir a sua identidade? Que conhecimentos tem para corrigir a gramática das suas necessidades?
Tem a legitimidade e a moral do poder, o direito e o conhecimento dos seus pessoais interesses.

Mas será que o Alentejo quer vender a sua alma...? A sua paisagem?
Quem quer? Quem não quer? Quem deve ser consultado? Quem deve decidir?
Deve haver um diálogo entre o velho e o novo.

Que uso se faz dos nomes? Das paisagens? Das situações?
O que é importante? Que valor damos às coisas? Que cuidado temos com elas? Mudar porquê? Desenvolver o quê? Progredir como?
Quanto a mim, são estas as questões. As respostas não me parecem fáceis...

Miguel Goes disse...

Aqui está uma excelente opinião..e que reflecte o problema de fundo... e ao qual ninguém sabe responder...
Que se pretende para esta zona, o que somos, o que queremos, onde queremos ir...ou seja uma reflexão séria, profunda e esclarecedora desta nossa zona...um documento que reflicta as grande linhas estratégicas, os desejos...que aponte pistas para o futuro.

santiaguense indignado disse...

É evidente que essa discussão é necessária. Diria até urgente, e que deveria preceder esta vaga de investimentos que está a invadir a região. Ou seja, definir o modelo de desenvolvimento que pretendemos para o Litoral Alentejano tendo em conta as características e a identidade da região, as suas potencialidades, a vontade e as necessidades das populações, etc.
Era o que deveria ter sido feito antes e depois sim, enquadrar aí os investimentos turísticos.
Nada disso foi feito. Não se fez o debate dessas matérias, muito por culpa das autarquias e um dia vamos pagar por esse lapso.

Julio Canário disse...

É para verem o que são os tais auto-intitulados democratas que a maior parte das coisas são cozinham nas costas do povo.
Depois disfarçam com os pseudo orçamentos participados, que são apenas poeira para os olhos do povo porque a forma como é feito e como são consideradas as opiniões do povo é pouco melhor do que uma farsa.

Francisco Lobo de Vasconcellos disse...

Tendo exprimido publicamente a minha opinião venho aqui complementá-la.
O nome é começar pelo fim...e não é pelo nome que as pessoas nos visitam e gostam da nossa zona.
É pela qualidade, pela paisagem, pelas pessoas...e é isso que temos de preservar, melhorar e divulgar.
E temos de ter em mente que se não temos muito cuidado nas transformações que se querem fazer, então já não há nome que valha a esta região

Anónimo disse...

Ainda a propósito de nomes.

De facto, o que conta é o somos.
E o que somos vai no que fazemos e não fazemos.
Não é a imagem que conta: é o conteúdo.
A Bela, se bela for, Bela será.

O Alentejo é.
O que é o Alentejo? Quem é o Alentejo?

Não entramos num lugar: apenas podemos sair dele. É isto a descoberta de um lugar: a supresa de nos encontrarmos nele. E há um mundo de coisas boas à procura de quem as descubra - talentos e ideias, belos lugares – no Alentejo Litoral, nomeadamente.
Deixemo-nos surprender por elas.

Hoje tem-se um monte alentejano.
Ou uma fachada nele com piscina e jipe à porta do fim-de-semana.
E são até muito bonitas algumas dessas casas.
Mas a beleza do Alentejo é mais como a dos lírios do campo.
Essa não se pode ter. Apenas ser.

Os mais abastados e influentes clubes e associações de privados interesses têm muita iniciativa - e gostam de a editar e publicar por essa paisagem fora.
Parece que gostam muito do Alentejo.
E nós dependemos muito do seu gosto – e do seu mau gosto.
Gostos não se discutem.
Mas, de facto, se não tivermos nós muito cuidado com o que somos, com o que fazemos e não fazemos, até as mais belas paisagens dos nossos sonhos serão conquistadas, exploradas, trocadas ou vendidas, adulteradas, danificadas e destruídas. É o que vai continuar a acontecer às paisagens alentejanas se o ambicioso duplo critério do nosso liberal desejo de economia não for contrariado e governado com valores mais justos e nobres. O feio know how do duplo critério da reinação, virará o feitiço contra o seu feiticeiro - mais cedo ou mais tarde.

As soluções andam à procura de quem as pense.
Há muita gente que diz preocupar-se com o desenvolvimento do Alentejo.
Mas só na idade da inocência se pratica o bem que se prega.

Verdadeiro, se verdadeiro for, Verdadeiro será.
Alentejo, se alentejo for, Alentejo será.
Só o nome sabe de si.

Quem é o Alentejo?