10.25.2007

Algumas imagens do Litoral Alentejano...e alguma ironia

20 comentários:

Anónimo disse...

Bonitas sacadas de ferro forjado, em vias de se perderem. Vai-se perdendo tudo, no cozinhado do tempo e de incúria dos homens e até vai servindo para fazer humor. Não demora está o edifício todo no chão para rápidamente surgir no seu lugar algum mamarracho destes agora finórios, em condominio fechado.

Anónimo disse...

Duas imagens muito bonitas, que vêm muito a propósito de Alentejo Litoral. E, não querendo eu ninguém fazer corar – confio que não será censurado este elogio – a sua selecção e montagem revelam também grande sensibilidade por parte do(a) editor(a) do blogue.
Parabéns – imagens fortes , muito integradas e em diálogo. Ilustrativas de um idealismo de olhos panorâmicos. Com os pés assentes na terra desse panorama – importante.
Os olhos fotográficos e os do(a) editor (a)coincidirão…? Quem é o(a) artista? E onde está a ‘ironia’?
Uma figura feminina misteriosa ao alto, numas ruínas à varanda de ver passar a vida e as pessoas, os seus dias e os seus trabalhos, ou simplesmente a ser ela mesma, bela – objecto ideal. A guardar sonhos que só ela sabe, pensamentos emoldurados contra um sereno céu azul de janela antiga virada para o novo. Qual fantasma surgido na memória do sonho.
A olhar para o cabo de uma pá ao alto, enquadrada nesse azul com algumas nuvens no céu dos seus pensamentos, ou dos pensamentos de quem para ela e ele e esse céu olham. Uma pá activa do trabalho, e do trabalho a fazer , que descansa agora e contempla à janela, e se deixa contemplar pelos femininos olhos, belo objecto – ideal.
Quem é…?, pergunta a pá à boneca. Quem é…?, pergunta a boneca à pá.
Duas figuras humanas que se contemplam e deixam contemplar, e se completam, e descansam às janelas azuis do possível. Descobertos na pedra necessária à nossa solidez e vulnerabilidade, qual matéria de corpo. Corpo misterioso das casas e das coisas, as nossas coisas, as coisas dos dias de cada um.
E a cada um, a sua coisa. E cada coisa, o seu nome. Somos muitos sonhos.
Dos despojos das perdas nasce o desejo restaurador e criativo. Do velho, o novo. Morte e vida, e masculino e feminino, definem-se só mutuamente – talvez aqui a ironia?
Como quem diz: temos um passado e um futuro. Um belo ideal, os instrumentos e a vontade. Mãos à obra, homens e mulheres!
Sim…? É o que eu vejo… se fosse um teste projectivo… em que lençóis estaria…?
Viva a criatividade!

Azul céu alentejano.
E o mar nele.
Lindíssimo.

Sertório disse...

Parabéns ao editor pelo olhar da objectiva e parabéns a este último anónimo pelo excelente post. Gostei.
A leitura é livre mas não deixa de interessante para onde a reflexão divagou...ou deambulou.
O nosso Litoral Alentejano permite fazer estas fotos ou imagens onde podemos fazer sobressair a carga poética ou filosófica que carregam.
Basta um pouco de inspiração e criatividade, como se vê neste último post.

Anónimo disse...

É triste ver uma casa ir abaixo, a ser demolida assim esventrada dentro das paredes e ficar despida aos olhos de quem passa e aos elementos. As casas é quase como se fossem pessoas, realmente porque as pessoas vivem dentro das casas e elas são feitas para as pessoas. Estas imagens são animadoras ou desanimadoras, não sei. A realidade parece mais para o desanimador. Eu também queria ser optimista mas neste caso a beleza na estará nos olhos de quem a vê? Gostava de conhecer quem fez o comentário desta grande imaginação a partir de umas simples imagens que é para ver se eu me animo mais

Alentejana santiaguense disse...

Quantas mais imagens destas vejo (e elas abundam por aí) mas preocupada fico com a nossa linda região que parece tão maltratada. Pelas câmaras que aprovam projectos megalómanos e até por nós que somos impotentes para alterar este estado de coisas. E pensar que podiamos ser uma das regiões mais atractivas e melhor geridas do nosso lindo Portugal, ainda me entristece mais.

alentejano arquitecto disse...

Infelizmente está a acontecer a destruição das caracteristicas dos Centros Históricos...
As telhas antigas, caixilharias em madeira, as texturas da cal, as proporções, a irregularidade dos volumes, a "genuínidade" construtiva, os sedimentos do tempo, a arqueologia...tudo isso desaparecerá e os arquitectos camarários remetem-se ao silêncio ou até encorajam...é preferivel velho e honesto do que novo e pretencioso...que é o que os Centros Históricos se estão a tornar.
Santiago está um estaleiro de maus exemplos, Sines idem...Odemira ao abandono, Alcácer do Sal para lá caminha...Grândola pouco tem para mostrar.

Luis Pedro Ramos disse...

Perfeitamente de acordo. Infelizmente ainda se verificam situações que já não deviam acontecer nos nossos centros históricos. Recordo-me, por exemplo, de um episódio lamentável ocorrido no Verão de 2005 no centro histórico de Alvalade, durante uma obra da EDP. Um trabalhador de uma empresa contratada pela EDP abria uma vala na via pública quando encontrou um recipiente cerâmico que lá dentro guardava cerca de 70 (setenta) moedas de prata. Guardou as moedas para si e abafou a situação. Depois ofereceu uma ou outra, e quando se apercebeu do seu valor alguém no seu lugar conseguiu vender algumas em Lisboa a 500 euros cada. As moedas estavam em excelente estado de conservação. Um pequeno tesouro monetário, do reinado de D. João III, que foi vendido a granel como se de laranjas se tratasse que lesou gravemente o património de Alvalade e do concelho. Ainda se tentou meter o IPA no processo, mas já nada se conseguiu resgatar nem sequer se fizeram estudos ou sondagens no local do achado. Um triste episódio que teria sido evitado se estas obras públicas nos centros históricos cumprissem a Lei e tivessem obrigatóriamente acompanhamento arqueológico. Mais recente, durante a demolição de um velho prédio de taipa, que coincidia com a antiga localização do Hospital medieval do Espírito Santo, também no centro histórico de Alvalade, um ajudante de pedreiro encontrou duas velhas medalhinhas. Uma ainda a consegui recuperar, dedicada a S. Venâncio, protector dos viajantes, do séc.XVI, mas a outra já não fui a tempo. E quantos mais vestígios e páginas importantes do nosso passado se têm perdido e vão continuar a perder, enquanto não houver mais atenção e cuidado na gestão deste tipo de intervenções e eventualmente também de privados, nos nossos centros históricos por parte dos municípios, do IPA, do IPPAR (agora IGESPAR), etc ?
Ainda assim vão valendo algumas pequenas vitórias, fruto da persistência dos moradores mais sensibilizados nestas matérias, como a remoção há poucos dias de um armário da EDP, na ZEP da praça D. Manuel I, em Alvalade, há muito contestada.

miguel goes disse...

Ok....mas isso é o comum.
Baste ver o que aconteceu em Santiago do Cacém antes da exposição...e o Dr. Falcão bem caladinho...ou o que acontece em Sines ou Alcácer do Sal...e em tanto locais do nosso alentejo.
Alguém se preocupou com a arqueologia nestes mega empreendimentos da costa de Grândola?
Como não dá votos e custa dinheiro...

Helder disse...

Mas quais centros históricos ? Existem algumas politicas para os centros históricos do nosso litoral ? Isso é tudo muito bonito da boca para fora mas depois não vemos nada feito nem em Santiago, nem em Sines, nem em Grândola, nem em Alcácer. Vão-se fazendo umas obras de fachada, umas pinturas, mas politicas verdadeiras de protecção e recuperação não vemos nada e é ver essas zonas a morrerem lentamente e os prédios a cairem aos bocados.

Vicente disse...

Senhores presidentes das câmaras do Alentejo Litoral

1 - É urgente requalificar e dar vida aos centros históricos da região, que bem arranjadinhos podem ser mais um bom cartão de visita para o turismo complementando as demais ofertas.

2 - É urgente elaborar-se a carta arqueológica de cada concelho, e ter arqueólogos nas câmaras para evitar que certas obras estraguem o nosso património que está debaixo da terra.

3 - Deixem-se de intrigas partidárias e pensem mas é no trabalho que faz falta fazerem em prol da região e das populações.

Martins disse...

Podem barafustar, espernear, exigir, reclamar que eles vão todos continuar a gastar muita saliva com palavras bonitas para os centros históricos mas não vão fazer nada. Olhem aqui para o nosso em Santiago, corram as ruas todas com atenção depois vão ao Cercal e a Alvalade e digam-me depois se não tenho razão, já pa não falar nos outros concelhos

Anónimo disse...

Bom. Em verdade se diga que um excesso de certa ‘criatividade’ tem estragado muitas paisagens. Nada pior que certo ‘espírito jovem’ com ‘iniciativa’ e ‘expediente’. Quem terá hoje moral para educar jovens criaturas, também não sei.

Muito cuidado, claro, com os velhos das mais velhas e conservadoras guardas: são os mais sabidos. Gostam de 'jovens' e 'tradição'. Veja-se o pai do Bush, e os generosos criadores do emprego do seu imperial capitalismo. Emprego a que muitos chamam o novo esclavagismo. E, já agora, a rainha de Inglaterra, e as humanitárias acções do seu imperial reinado pelos países do terceiro mundo. Humanitarismo também chamado hipocrisia.
Bons rapazes? Como diria o Padre Américo, são todos bons rapazes. Mas nem o Padre Américo estenderia essa bondade à bondade das crenças de todos os bons rapazes. Cada um saberá da sua consciência e das suas intenções. Eu..? Gosto de os olhar de óculos...
escuros.

Que querem todos o mesmo, e é tudo farinha do mesmo saco? Não sei. A honestidade, sinceridade e bondade das individuais intenções dos presentes ou propostos regimes de governação, são difíceis de avaliar. Mesmo que se andem a roubar e a matar nos intervalos, muitos cantarão com a mesma voz se necessárrio for, e dar-se-ão as mãos, para atingir fins afins: poder, domínio e previlégios, riqueza às custas de muita pobreza e subserviência. Com mais ou menos ‘finesse’ e ‘know how’. Ou outros fins, mais belos e nobres, em épica e heróica contra-voz. Esperemos que, no fim, ganhem os bons. Nós..? Dirijamos o mesmo olhar de óculos prescrutadores à sinceridade e à bondade das nossas próprias intenções.

Impotentes demasiadas vezes, sim... mas não desanimemos, por favor.
Há excepções lindíssimas.

Estas imagens dariam uma bela capa e contra-capa de um livro sobre o Alentejo Litoral. Com casas demolidas e alguns mamarrachos. E também algumas casas restauradas, e outras novas e bonitas. Paisagens. Em várias vozes.

Desafio o arquitectos da Câmaras do Alentejo Litoral a animar-se, e a subscrever uma edição crítica e auto-crítica sobre o tema das perdas nos centros históricos das suas cidades, e os ganhos.

Desafio o(a) editor(a) a contribuir com as belas imagens dos olhos da objectiva.

Desafio as presentes e interessadas vozes a participar.

Anónimo disse...

E quem está lançando este desafio? Estou curioso de saber. Quem manda neste blogue devia mandar o convite a esses arquitectos e as entidades dinamizadoras das nossas cidades, que é pra ver se a gente se vai animando. Esse tema parece-me a mim muito interessante realmente e se fosse ao fundo das questões dos centros históricos e não só, bem ilustrado, era para as pessoas verem o que se está a passar, que o turismo nao é tudo o que temos para oferecer. Muito ensinamento e capacidade de luta também, lá por sermos alentejanos não quer dizer que a gente nao se mexa, pelo contrário. Gostava sinceramente de ver a coisa a andar para a frente. Mas eu já me contentava bem com dois dedos de prosa com a pessoa que aqui está lançando este desafio

Almerindo disse...

Em parte todos estes problemas dos centros históricos deviam ser mais trabalhados pelas forças vivas da região que possam ter a ver com este tema. E naturalmente que os arquitectos em primeira fila. Se não pelo andar da carruagem qualquer dia não se aproveita nada de jeito e ainda vamos vir aqui lamentar atropelos sem remédio. Bem, alguns já existem...

Anónimo disse...

Mais os arquitectos. Era bom que metessem o assunto "centros históricos do litoral alentejano" na agenda politica, ate porque muitas vezes é complicado percebermos certas intervenções e certas obras que vemos por aí. A ver bem poucos de nós sabem que tipo de desenho deve ter um prédio novo numa área antiga. E arranjar um prédio velho não pode levar nada moderno ? A arquitectura é uma linguagem ao alcance de poucos e nas zonas antigas ainda é mais dificil de entender

Francisco lobo de vasconcellos disse...

O assunto Centros Históricos deve estar na lista prioritária de qualquer autarquia.
No entanto a reflexão sobre os centros históricos, e em especial do Litoral Alentejano, nunca se fez profundamente.
É importante todos sabermos o que é um Centro Histórico, o que é património, como se pode e deve intervir nele, qual a maneira de o tornar em algo do sec XXI, como trazer rendimento, vida, actividade, contemporaneadade a estas zonas.
É um papel que os arquitectos, os técnicos camarários e os politicos autarcas tem de fazer (mesmo sendo zonas que dão poucos votos)...
Porque o património não é nosso...nós apenas o temos de transmitir ás próximas gerações....e em bom estado!

José F. C. M. disse...

Meus amigos, não temos massa crítica na região em quantidade nem uma população sensibilizada para estes temas. Convençam-se disso, definitivamente. Por um lado as pessoas estão essencialmente voltadas para a sua sobrevivência pessoal e familiar e os poucos tempos livres que dispôem é quase como tempo do Salazar: Futebol, Fado e Fátima.
E o que há.

Luis Pedro Ramos disse...

No caso de Santiago do Cacém, com 3 centros históricos, há anos que se prometem intervenções de fundo de reabilitação e revitalização, mas infelizmente o que vemos são os núcleos antigos do concelho a definharem. São recursos importantes que continuam desaproveitados e desprezados. Ainda assim a exposição de arte sacra é uma boa iniciativa para Santiago, que se deseja ser repetida e/ou seguida por outras. Mas os problemas de fundo é que infelizmente se vão arrastando, como é exemplo o centro histórico de Alvalade que sofre constantes "agressões" que o vão descaracterizando lentamente.
É necessário trazer esta problemática para a ordem do dia, discutindo-a, definindo intervenções, financiamentos, apoios aos particulares, etc.

Anónimo disse...

A integração do velho e do antigo faz todo o sentido. Barcelona é um exemplo de uma cidade com prédios antigos e prédios novos lado a lado e perfeitamente integrados. É um prazer ver e estar nela. Há edifícios modernos lindíssimos, beleza que deve muito à sua integração na paisagem.

Mais os arquitectos...? Sim, será uma questão de formação, conhecimento e técnica. E seria bom que toda essa formação técnica coincidisse com sensibilidade e bom gosto. E força para lutar, por vezes sozinho, contra a maré. Estaríamos a falar da arquitectura ideal; do bom arquitecto que, além de boa formação e talento, tem bom gosto e é corajoso.
Em última análise, a formação técnica e o gosto dos arquitectos deveria bastar.
E na arquitectura deviam mandar os arquitectos ou quem de arquitectura percebe.

Mas que arquitectos..? O Taveira...? Não sei se esse alguma vez terá jeito para fazer desenhos ou escolher cores para centros históricos ou arquitectar qualquer outro lugar...
O que há mais por aí são precisamente casas e prédios, desenhados por arquitectos, a estragar a paisagem. Mamarrachos. Trambolhos. Lugares inestéticos, deprimentes.
Na minha opinião, os arquitectos não estão isentos de mau gosto.

O que há mais é arquitectos convencidos.
E arquitectos mal formados.
Sem talento.
Na minha opinião, a boa arquitectura é rara.
Não que eu saiba fazer um desenho para uma casa. E não que eu saiba mais de bom gosto do que qualquer outra pessoa.

Arquitectos com gosto, sim... por favor.

Bom gosto? Mau gosto?
Como é que se resolve o problema do gosto, se gostos não se discutem?
Infelizmente, parece que o josé f.c.m. tem razão... muito futebol, e outros ópios, cegueiras e apatia... mas espero que não.
Tenho pena dos arquitectos que, tendo gosto e sensibilidade, sucumbem ou se sentem impotentes perante decisões que os ultrapassam ou que pensam não estar ao seu alcance. Mesmo que tenha que lidar com o gosto e o orçamento do cliente, ou mesmo que tenha poucos clientes, o bom arquitecto não deveria comprometer a qualidade dos seus projectos, por mais pressões que sofra. E o bom arquitecto responsável não deveria igualmente sucumbir a pressões e desânimos - na ausência de planos de ordenamento do território e recuperação de centros históricos, no âmago de intrigas e lutas de poderes ditadas por bravos patos e seus amigalhaços, num panorama de inquietante incerteza e falta de apoio, e dinheiro... coragem arquitectos!

elisa disse...

E sou eu quem lançou o desafio.
Heterónimo sim, mas assumido.
E de palavra.
Não sei se irei viver para o litoral Alentejo.
Mas mantenho o dito cujo!