4.23.2007

Os Ministros e o alvará de construção

Conhecemos muitos arquitectos, bastantes promotores imobiliários, muitas pessoas que fazem obras de construção e recuperação, que investem no seu património imobiliário e imensos empreiteiros.
Não conhecemos nenhum que tenha recebido o alvará de construção de dois ministros (Economia e Ambiente), sob o sorriso beatífico do autarca Beato e o beneplácito de outros autarcas e das chamadas "forças vivas" da região.
È uma coisa extraordinária...resta saber se para um alvará para a alteração de uma casa de banho em Azinheira do Barros teremos o mesmo aparato, com tenda montada e comunicação social...
Isto passou-se em Portugal, no Concelho de Grândola, para um projecto chamado Costa Terra, um apelidado PIN, um projecto de péssima qualidade urbanística, ambiental, arquitectónica...mas que na cabeça destes senhores representa o melhor deste país...
Estranhos conceitos...estranhas decisões...como dizia um poeta latino " O tempora O mores"

5 comentários:

Sombra disse...

É a versão revista e actualizada dos autarcas e dos políticos que temos. No Alentejo ou no Algarve, hoje como ontem. Gente pequenina de visões curtas, deslumbrados com o poder e com a subita possibilidade de enriquecimento fácil.
Quanto a este projecto, em particular, sei que a Geota e a Quercus interpuseram, em Maio de 2006, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa uma acção judicial exactamente contra os Ministérios do Ambiente e da Economia. Não sei qual é o ponto da situação. Talvez possamos esperar sentados...

Crescer disse...

Discordo do facto do Projecto Costa Terra seja "de péssima qualidade urbanística (...) e arquitectónica".

Pelo contrário, dos grandes empreendimentos é o único a querer manter alguma arquitectura e materiais de construção regionais.

Também é o empreendimento que mais "comunica" com os agentes regionais, talvez isso e o facto de ser a bandeira política de uma retoma económica baseada num novo modelo de desenvolvimento (leia-se turismo de qualidade, tecnologicamente evoluído e amigo do ambiente), ajudem a este circo.

Agora ambientalmente, não é só um desastre, mas também é contrário à lei. E só passa por .... esta "friendship" ambiental e mais qualquer coisinha.

Porque ao se comparar a Tróia e ao Pelicano, chega-se à conclusão que não tem nada a ver. Aliás este último é um autêntico mistério.

Por último, se pudesse, gostava que
para além de se levantar questões a estes 4 projectos.

1)Também falasse daqueles que estão para vir.
Ex. Aviados (este é sem dúvida, de todos os até agora apresentados, o maior atentado ambiental);

2)O crescimento desmedido de núcleos urbanos, como Porto Côvo, Almograve, Longueira, Cavaleiro. Veremos se são sustentáveis!

3) O tão falado caso da marca "Litoral Alentejano/Alentejo Litoral", em que anda tudo as turras uns com os outros.
Em relação a este assunto não é compreensível como a AMLA e os municípios cheguem ao cúmulo de terem 3 projectos a funcionar ao mesmo tempo (Regi, ADL e CCAM). Desperdício de recursos (financeiros e humanos). Depois é o que se vê. Guerras políticas que servem todos menos a população e o território.
E o que é mais estranho é todos se fazerem de parvos! Pois todos sabiam dos projectos uns dos outros. Isto é que é incrível!
Continuem assim que vamos longe.

Ponto Verde disse...

Os PIN estão para o Portugal actual como os primeiros projectos no Algarve estão para o Portugal de finais dos anos sessenta do sec XX.

Espero sinceramente que estes não sejam daqui a trinta anos a antecâmara do que o Algarve é hoje.

Estes projectos PIN vão contra um principio básico da Democracis, da Constituição e das leis Liberais mais básicas:

-A Igualdade de oportunidades!

E já nem falo de ambiente... Uma vergonha!

Opinião sobre o assunto, ver aqui:

http://a-sul.blogspot.com/2007/02/pinque-pariu.html

Alentejo_SW disse...

Bom...finalamente este espaço está a cumprir a sua função e começa a funcionar como ponto de diálogo e de troca de ideias...
Obrigado e continuem....

AA (Alentejano Arquitecto) disse...

Espero que o "renascimento" deste blogue seja para continuar.
Sobre os PINS infelizmente não há muito para dizer...enquadra-se numa das características deste novo estilo de governação...o dado adquirido, a prepotência decisória e uma sobranceria intelectual de que a verdade e o saber estão apenas no lado de quem está a mandar... a discussão sobre os grandes projectos que irão afectar milhares de pessoas deixou de existir!
Quanto à qualidade dos projectos...permito-me discordar...o Projecto Costa Terra é um pastiche pós moderno, que tenta piscar o olho a um suposto regionalismo...com um volume e uma massa construída assustadora.
Tróia atira-se para uma imagem contemporanea ao jeito dos Centros Comerciais da Sonae...com referencias a um imaginário ecologistico/alentejo/futurista...
enfim, uma salganhada.
Pinheirinho não se sabe muito, mas a falida Pelicano já nos habituou a um discurso muito amigo do ambiente e da natureza, com um suposto patrocinio da WWF...apenas não entendo como é possivel compatibilizar as centenas de metros cubicos de betão e hectares de relva dos golfes com a vida selvagem e com a paisagem natural existente!
Na Comporta o mistério adensa-se, mas ai estarão a chegar mais uns milhares de camas certamente adornados com o discurso do ambiente, da ecologia, dos valores naturais, etc etc.
Em Santiago a Câmara Municipal teve a ideia peregrina de promover a "Planicie do Cercal" e elaborar um Plano de Pormenor que contempla 15.000 camas(!)...era risível se não fosse preocupante.
Sines, na pessoa do seu presidente da Câmara, fala em campos de golfe e mais áreas turísticas (talvez no meio das industrias) e Odemira espreita por uma oportunidade para aumentar a sua capacidade de destruição...
Preocupante..e preocupante o silêncio cumplice instalado...